terça-feira, 5 maio, 2026
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Renato já perdeu o benefício da dúvida

Renato de Freitas durante a manifestação na Igreja Rosário. Foto: Banda B

O jovem vereador não pode continuar agindo como alguém que tem passaporte para transgressões…

 

Nos primeiros dias do vereador Renato Freitas (PT) na Câmara Municipal de Curitiba, fui dos que até tomaram como implicância gratuita os senões que iam surgindo quanto à atuação do jovem. Achei, por exemplo, que igrejas e pastores teriam exagerado nas condenações ao moço que, num arroubo de “show off”, denominou pastores de “picaretas”, espécie de vendilhões do sagrado.

Esse primeiro deslize de Freitas lhe rendeu submeter-se a uma comissão de ética da Casa, à qual teve de responder sobre suas diatribes. Ágil em montar articulações a seu favor,  saiu limpo desse “tribunal”.

Livre para novas quebras do decoro parlamentar, qualidade que deve identificar a quem se propõe a representar a comunidade. O decoro deve ser o melhor cartão de visita de um legislador, e tem espaço ilimitado na vida de um senador, deputado ou vereador, indo até à sua vida particular. É isso mesmo: regra para quem trabalha a “res  publica”.

No sábado, 5 – em meio a outros solavancos comportamentais suspeitos em plenário já anotados -, Renato Freitas passou totalmente das medidas: chefiou uma baderna, ao invadir a Igreja do Rosário, de Curitiba, durante celebração de missa.

Vereador Herivelto Oliveira

O templo, do silêncio habitual, foi tomado por algazarra, manifestações com gente empunhando bandeiras vermelhas e gritaria. Tudo sob a desculpa de estarem protestando contra a morte do congolês Moise, barbaramente assassinado ao cobrar dívidas num bosque da praia do Rio de Janeiro.

Houve quem, desde os primeiros gestos agressivos do vereador, que o desculpasse. Outros jamais aceitaram os argumentos de que estaria sendo objeto de racismo numa Curitiba de predominância de brancos. Nada mais errado, que o digam os vereadores Carol Dartora e Herivelto de Oliveira, ambos negros, e que sempre se impuseram por realizações e manifestações no plenário. Nunca recorreram a inexistente “racismo” para desculpas de eventuais falhas.

Toda ação corresponde a uma reação. Até o PT, por seus diretórios estadual e o de Curitiba, condenou a ação de celerados chefiadas pelo vereador.

Vereadora Carol Dartora (PT)

A nota do arcebispo de Curitiba sobre o triste episódio foi moderada, mas no reto tom: defesa do templo e de protesto contra a violência.

Eu, cá comigo, fico a me perguntar: será que o vereador Freitas tentaria a mesma ação num dos templos da Igreja Universal, sabidamente bem guarnecidos por seguranças e fieis vigilantes? Ou, por acaso, aventaria qualquer manifestações de balburdia num terreiro de Umbanda ou Candomblé?

Desta vez o Renato Freitas acostumado a apresentar-se como vítima até de policiais em supostas arbitrariedades, não terá de exibir o que considera seu passaporte, a carteira da OAB, para tentar safar-se de flagrantes.

Pena que tudo isso tenha acontecido tendo como protagonista um moço que poderia trabalhar de cabeça erguida em favor de sua etnia que vive sob algum tipo de racismo neste Brasil que ainda não a incluiu.

 

Saiba quais vereadores vão julgar Renato Freitas na Comissão de Ética

 

(Blog do Tupan)

O vereador Renato de Freitas (PT) é apontado como o articulador da invasão da Igreja do Rosário, no último sábado (5), em manifestação contra o racismo.

A Comissão de Ética e Decoro Parlamentar é composta pelos seguintes vereadores – que irão julgar Freitas pelo ato de intolerância religiosa: Dalton Borba (PDT), Eder Borges (PSD), Denian Couto (Pode), Indiara Barbosa (Novo), Maria Letícia (PV), Noêmia Rocha (MDB), Pastor Marciano Alves (Rep), Sidnei Toaldo (Patri) e Toninho da Farmácia (DEM).

Saiba mais sobre o caso:

PT diz que não participou da invasão à Igreja do Rosário; OAB Paraná diz lamentar o ocorrido

Vereador lidera invasão de missa na Igreja do Rosário para protestar contra racismo

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