segunda-feira, 20 abril, 2026
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Religiões em busca de voto, poder e dinheiro – (terceira parte)

A FAMÍLIA LOSSO

Ezequias Losso, Artagão de Mattos Leão Jr. e vereador Dirceu Moreira
Ezequias Losso, Artagão de Mattos Leão Jr. e vereador Dirceu Moreira

A mais expressiva e segura “dinastia” de políticos com voto eleitos por igrejas evangélicas no Paraná foi a da família Losso.

Alguns opositores, me lembro bem, chegaram a apelidá-la de “os Kennedy do Paraná”.

Membros da Igreja Adventista do Sétimo Dia, igreja que não se considera evangélica (protestante), os Losso começaram a despontar, no entanto, com o grande despertar das denominações evangélicas para seu potencial eleitoral, o que ocorreu acentuadamente a partir do final dos 1960, começo dos 1970.

Eles se beneficiaram de um tempo em que ainda era muito tímida a presença dos chamados ‘crentes’ na política. Por isso os Losso foram aceitos como “irmão evangélicos” e receberam votos de várias denominações, no início de suas carreiras.

O primeiro a buscar votos foi o chefe do clã, Luiz Losso, que acabou, na primeira tentativa, ficando como suplente de deputado federal. Depois, em outra eleição, virou titular.

Os Losso sempre estiveram aliados aos líderes reinantes na época – Ney Braga, Pimentel, Canet Jr., Jaime Lerner.

Igo Iwant Losso, o mais velho dos irmãos, foi deputado federal, Ezequias chegou a ter destaque como deputado estadual e Santiago, o mais jovem deles, foi vereador em Curitiba.

Nunca o nome dos Losso esteve associado a escândalos ou a ações que poderiam ser denominadas de antiéticas. Mas também, é verdade, não se notabilizaram por muita ousadia nos mandatos legislativos. Perseguiram – o que é positivo – temas educacionais, com frequência.

Hoje os adventistas do sétimo dia têm no deputado estadual Artagão de Mattos Leão Junior o seu representante na Assembleia. Nos dias de hoje, Artagão é secretário de Estado da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos do Paraná.

Para uma fonte da Igreja, “Artagão foi eleito sobretudo pela larga aceitação que seu nome tem na região de Guarapuava, onde a família Mattos Leão mantém seu centro de irradiação”.

Ainda segundo a mesma fonte, a Igreja Adventista do Sétimo Dia não faz recomendação de nomes de candidatos. Fala de política sem conotações partidárias. “Depois, se algum membro é eleito, a Igreja dá-lhe apoio, é claro”.

Além de Silvio Barros II, secretário de Estado do Planejamento, e ex-prefeito de Maringá, há pelo menos outro adventista na política.

Trata-se do vereador curitibano Dirceu Moreira, cujos votos são oriundos sobretudo de bases (não necessariamente da Igreja) na Cidade Industrial de Curitiba e Fazendinha.

Minha opinião é de que os Losso começaram a perder poder foi quando as igrejas evangélicas do Paraná começaram a reunir forças em torno de seus irmãos. E, como consequência, foram surgindo Zacharow, Takayama, Elias Abrahão…

(PROSSEGUE)

Leia mais:

Religiões buscam votos, dinheiro e poder – 1ª parte

Religiões buscam votos, dinheiro e poder – 2ª parte

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