sexta-feira, 19 junho, 2026
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Reeleição pode quebrar a paz dos “imortais”

Chloris Justen, Flávio Arns, Rafael Greca de Macedo
Chloris Justen, Flávio Arns, Rafael Greca de Macedo

Dia 14 de dezembro, uma quarta-feira, deverá ser a data “fatal” para os chamados ‘imortais’ da Academia Paranaense de Letras (APL) escolherem a nova diretoria da instituição, hoje caminhando para tornar-se aquilo que boa parte da intelligentsia do Estado espera dela: uma reunião de notáveis. E não mera academia de beletrismo.

No entanto, a data dessas eleições não está marcada, ainda.

Até agora reina paz na APL.

Mas há um zum-zum-zum tênue entre acadêmicos em torno da manifestação recente da presidente Chloris Justen, 93, feita à Gazeta do Povo, de que estaria pensando em buscar a reeleição por mais dois anos. Isso até por ‘recomendação médica’, segundo garantiu.

A APL, explicou a escritora, seria um fator importante a garantir sua saúde física e espiritual.

PRÓS E CONTRAS

Chloris é um nome importante, aglutina muitos acadêmicos. Não se sabe se a maioria. Não que não seja ela uma mulher afável, mas porque alguns dos chamados imortais estariam achando que “a hora também é de mudança na Academia”.

Nada contra a obra de Chloris nem a pessoa dela.

JUDICIÁRIO

A chave da questão – “espero que esse assunto jamais chegue às barras do judiciário”, diz um acadêmico que pede anonimato -, pode estar na reforma dos estatutos da APL, aprovada em setembro passado, por unanimidade. Com o voto de Chloris.

ESTATUTOS IMPEDEM

Pela nova redação dos estatutos fica proibida uma segunda reeleição ao cargo de presidente.

Mas a eventual nova postulação de Chloris à Presidência da Academia tem defensores. Um deles, o acadêmico Flávio Arns, de certa forma um ‘calouro’ ainda na APL, na qual entrou em 2015.

Em favor da tese de que Chloris tem o direito a mais um mandato há aqueles que lembram: “a reforma dos estatutos veio quando, neste 2016, Chloris estava vivendo a Presidência sob o estatuto antigo, que era favorável a novo mandato”.

A alegação mais forte seria a de que os estatutos não foram ainda registrados em cartório.

REGISTRO

Não pensam assim todos os imortais: há os que argumentam que o registro seria “formalidade para dar satisfação ao público externo”. E que o que conta foi a decisão unânime do colegiado pela proibição de novo mandato.

No meio dessas discussões acadêmicas, um gaiato, saiu de um grupo de “imortais”, em meio a uma discreta discussão sobre o embroglio montado, dizendo:

– Com Chloris ou sem ela, quero ver o Rafael Greca saldar sua dívida com a Tesouraria da Academia…

Outro, mais caustico ainda, colocou mais lenha na fogueira: “Manda protestar a dívida do Greca…”

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