Por temperamento, sou avesso a reuniões de confraternização em torno de datas, como as que comemoram, por exemplo, grupos profissionais cultuando seus antigos postos de trabalho. E mesmo às de formatura em faculdade.
Eu as chamo de “horas da saudade”. Com elas não me envolvo, por ser emotivo, e não apreciar evocações de tempos e momentos que se foram.
Eles se bastam por si sós em minha memória, acredito.
Essas reuniões são mais ou menos comuns entre jornalistas veteranos, que celebram suas antigas casas, fortins de liberdade, de possibilidades de criação, de expressão política, de defesa de causas justíssimas.
2 – DIÁRIO DO PARANÁ
No Paraná, um grupo de veteranos jornalistas (e outros nem tanto) costuma reunir-se anualmente, entre 29 ou 30 de março, para comemorar o aniversário de fundação do extinto Diário do Paraná.
No caso do Diário do Paraná, da cadeia dos Diários Associados (Chateaubriand), a grande tonalidade do “lócus” foi o celeiro de companheirismo que lá se fomentou. Sem esquecer, é claro, O espírito libertário de boa parte de seus jornalistas.
3 – ORGANIZAÇÃO
Os líderes dessas celebrações, começam, pelo menos, dois meses antes, a fazer intensa campanha de promoção do grande jantar, quase sempre num mesmo restaurante de Santa Felicidade.
Luiz Renato Ribas, José Kalkbrenner, Bernardo Bittencourt, Ayrton Luiz Baptista e até os “patrícios da advocacia”, René Dotti e Eduardo Rocha Virmond estão entre os mais animados ex “diaristas”. Isso sem falar na legenda que é Rosy de Sá Cardoso, a impávida octogenária.
4 – AS PERDAS
Fato é que tais reuniões, embora importantes, porque mantêm viva a memória de uma das páginas mais importantes da imprensa paranaense – por lá passaram Luiz Geraldo Mazza, Adherbal F.Sá, José Richa, Leo de Almeida Neves, Silvio Bach, e outros – acabam permeadas pelo vazio de ausências humanas.
Os mortos do DP acabam, de certa forma, dominando a noite.
5 – SESSENTA ANOS
Neste ano, o Luiz Renato Ribas está prometendo, para segunda, dia 30, uma “chamada dos sobreviventes”.
O jornal estaria celebrando este ano 60 de fundação por Adherbal G.Stresser.
Isso – a “chamada” é demais para mim, particularmente porque este ano alguns de meus caros amigos – como Jorge Narozniak e Carlos Danilo Costa Côrtes – não poderão responder à “chamada”. Talvez até porque estejam ocupados demais numa dimensão espiritual a que não temos acesso.
