
O exercício de perdas e ganhos é importante para que se avaliem como vão os humores do eleitorado e que tendências começam a se consolidar nas urnas paranaense. Assim, eis algumas observações sobre:
QUEM GANHOU:
a) Governador Ratinho Junior, vitorioso em Curitiba e em quase todos os colégios eleitorais em que manifestou seu apoio, o qual acabou resultando candidatos ganhadores da eleição;
b) PDT e PT: partidos que, em Curitiba, davam impressão de estarem desidratados, acabaram formando uma expressiva bancada: os brizolistas ficaram com 3 vereadores, o mais notório deles, Dalton Rosa; e o PT com 3, sendo o mais conhecido deles a professora Josete; mas a segunda maior votação para Carol Dartora, cuja vitória é mais significativa ainda por ela ser negra numa cidade ainda considerada branca, “européia”.
c) Márcio Freitas, outro petista eleito, também pertence ao movimento negro do partido.
d) Profissionais da comunicação social (jornalistas) também estão representados, em partidos diferentes: Herivelto Oliveira, Marcello Fachinello e Márcio Barros.
e) Partido NOVO: na legenda está a vereadora que conseguiu o mais escore para a Câmara, Indiara Barbosa (foi dos primeiros nomes que a Coluna apresentou, na divulgação de candidaturas, já em setembro); e também João Guilherme, o Dr.João, que concorreu a prefeito, e fez uma boa posição final.
f) Chico Brasileiro ganhou o direito de continuar na chefia da Prefeitura de Foz do Iguaçu, num pleito renhido , tendo em seu calcanhar o ex-prefeito Paulo MacDonald Ghisi; em Londrina, Marcello Belinatti consolida-se como grande liderança política da região: reelegeu-se muito bem e com impressionante votação (150 mil votos); em Maringá, reelegeu-se o prefeito Ulisses Maia, derrotando a chapa em que a coronel PMEP Audilene Rocha concorria com o apoio da família Barros (Ricardo Barros e Cida Borghetti);
g) Por último, nesta breve lista, acho que Goura Nataraj (PDT) mostrou definitivamente seu potencial de aceitação entre boa parte dos jovens. A pregação do pedetista nunca comportou barganhas: ficou firme na defesa da mobilidade urbana, no amparo à população mais vulnerável de curitibanos e defesa do meio ambiente e clima. Fala a linguagem que mais adeptos ganha mundo afora.

QUEM PERDEU?
Curitiba perdeu, tenho certeza, ao não eleger vereador o ex-vereador delegado José Maria Correia (MDB), Bruno Pessuti, Rafael Lopes – Ragulo (da nova safra de políticos, que mesmo assim fez 2.300 votos). Isso sem falar a grande surpresa que foi a rejeição nas urnas de políticos icônicos da vida da Capital, como Paulo Salamuni e Ângelo Vanhoni. O primeiro presidiu a Câmara Municipal e é suplente de senador Oriovisto Guimarães; o petista Vanhoni, com 3 mandatos de deputado federal, sempre foi considerado uma reserva de qualidade do PT do Paraná, e teve muita expressão nos anos em que concorreu a prefeito de Curitiba.

Perdeu também Curitiba ao não eleger Gerson Guelmann, um pérola de raro valor na cidade que muito deve a ele, por suas iniciativas sociais, e ações no governo de Jaime Lerner.
Creio que é uma perda para uma das mais simpáticas figuras da política paranaense, o ex-governador Orlando Pessuti, a não reeleição de seu filho, o vereador Bruno, o qual é dono de significativo perfil acadêmico e que sempre, embora remando no barco da situação, teve atuação técnica exemplar.
A cidade precisava na Câmara Municipal de um especialista em segurança pública. O Inspetor Frederico, da GMC, candidatou-se a vereador, apresentou sugestões consistente e bem embasadas para a área. Não se elegeu. Foi chefe da Guarda Municipal no governo Gustavo Fruet.
Perderam também a candidata Christiane Yared, que não conseguiu ver eleito vereador um filho seu; e Cida Borghetti , que teve um sobrinho recusado nas urnas em Curitiba.
Das cinco cidades paranaenses que poderiam ter segundo turno, apenas Ponta Grossa terá a segunda roda. Será entre a deputada federal Mabel Canto e a professora Elizabeth Schmidt, ex-vice prefeita da cidade.
