
Aumenta o poder do Estado. Tempo para registro
de chapas foi exíguo, vence hoje, dia 2
Na gestão do ex-governador José Richa que foi instituída a eleição de diretores de escolas públicas. A tônica, pós ditadura militar, era tornar o processo democrático e transparente, repassando o poder à sociedade. Passados quase 40 anos, o que se vê é um processo eleitoral mais engessado, dando mais poder ao Estado e “ passando a perna em funcionários e alunos, bem como aos seus familiares”, observas uma diretora inconformada com as alterações em sua área. O edital divulgado no Diário Oficial do Paraná, pela Secretaria da Educação e dos Esportes sinaliza que as direções de escolas acabarão concentradas na mão daqueles diretores alinhados ao secretário Renato Feder.

PRAZO MUITO CURTO
As dificuldades de quem quer se tornar diretor começaram com a divulgação do cronograma das eleições no último dia 31 de maio. Foi dado o prazo de dois dias para que as chapas interessadas se inscrevam até esta quarta-feira, dia 2. Em menos de 48 horas, mais de 2 mil chapas de oposição teriam que ser montadas, tendo que vencer a dificuldade de se articular em pleno período de pandemia. De primeira largam os atuais diretores (boa parte pró-Feder), que têm em mãos dados pessoais de todos os alunos, responsáveis e funcionários, podendo acessá-los de forma mais rápida.
ESCOLAS SEM ELEIÇÃO
Outro golpe duro no processo eleitoral é que escolas técnicas e Colégios Cívico-Militares deixaram de ter eleições, retirando mais de 200 das 2140 escolas estaduais. Outro enfraquecimento é a criação da comissão consultiva, que pode inclusive indicar um diretor. Com a criação desses mecanismos, tudo indica que Renato Feder manterá para si boa parte das escolas estaduais alinhadas com suas ações. Será raro ter alguma novidade no primeiro turno das eleições, em 7 de julho, e mais improvável, qualquer grande alteração no dia 23, no segundo turno .
