Aos 64 anos, contraditoriamente, Greca de Macedo determina que, em Curitiba, apenas a partir dos 72 anos as pessoas devem se recolher.
Decisão que afronta a lei e os conhecimentos das ciências médicas.

Não tenho dúvida nenhuma que as camadas mais esclarecidas da população, diante da pandemia que chegou ao país, correm em busca de opiniões de técnicos, estilo ministro Mandetta, e as de cientistas como infectologista David Uip.
Claro, é certo, que há ainda homens públicos respeitáveis (não os parlapatões que se deleitam com a própria voz e as gracinhas que produz).
Esses respeitáveis homens públicos sabem que o momento é muito mais do que o “de uma gripezinha”. É gente que enxerga o presente longe das alquimias eleitorais e dos cambalachos montados em gabinetes prefeiturais.
Mas infelizmente são muitos, no entanto, os chamados homens públicos que estão brincando com o momento. Tal como ocorre, lamento dizer, até em Curitiba, a cidade que o gênio de Lerner um dia fez modelar.

FEIRA DA ORDEM, O CAOS ANUNCIADO
E por isso, sinto-me na obrigação de citar o prefeito Rafael Valdomiro Greca de Macedo como um estorvo neste momento de pandemia.
Haja vista a sucessão de erros que vem cometendo, especialmente os do final de semana, quando diminuiu enormemente os ônibus em circulação, estabelecendo o caos nos terminais e nos coletivos apinhados de homens e mulheres a viver momentos de enormes riscos.
Claro que ele voltou atrás, diante da pressão pública. Até chorou diante das câmeras, bom ator que é…
Da mesma forma, anunciou, sem qualquer cerimônia, que a Feira dominical do Largo da Ordem funcionaria, reunindo multidões. Seria um desastre anunciado, que só não se consumou porque dois políticos de porte, o delegado Francischini e Ney Leprevost mostraram ao caos que seria a realização do evento, fato que iria de encontro a todas as recomendações dos epidemiologistas e infectologistas.
Mas para quem manda os funcionários das UPAS e UBS trabalharem sem EPI, os equipamento de segurança pessoal, nada mais me assusta.
Vide o caso do Dr. Jamal, que esteve à morte, da UPA do Boqueirão, que esteve à beira da morte, vítima do coronavírus…
MAS GRECA TERIA DE FICAR EM CASA?
Vou dar outro lastimável exemplo de quanto Greca pode fraudar a lei e o cidadão: centrou suas decisões quanto à faixa etária, voltadas APENAS à população acima de 72 anos.
Decretou que “somente os idosos ACIMA de 72 anos” fiquem em casa, isolados.
Essas decisões do alcaide passam por cima, por exemplo, de lei federal que define quem é considerado idoso no Brasil.
Os idosos, segundo a lei, são homens e mulheres acima de 60 anos. Eles têm direitos e privilégios bem claros e obrigações idem.
Mas por que Greca de Macedo ignora os realmente idosos, cidadãos na faixa etária a parir dos 60 anos?
Para o bom entendedor, o óbvio fica claríssimo: ele é um ancião de 64 anos. Portanto, pela fria lei, teria de estar até recolhido totalmente em casa, na sua chácara São Rafael, ou na Secretaria de Meio Ambiente e (onde atualmente mais se refugia para evitar ‘chatices’ do cargo).
Não sou radical: acho que idoso pode governar uma cidade, desde que com higidez mental. E que não tente cometer barbaridades, como dissimular idade para, no mínimo, contar com votos juvenis, apoios de gente como aquele entourage que faz parte de uma de suas “tendas”, como a digital. Ou a “tenda” jurídica, também com muitos jovens.
De qualquer forma, hipertenso e diabético, problemas que me afetam também, Rafael Valdomiro Greca de Macedo deve ser um “puzzle” para o geriatra Dr. Baracho, e um sinal totalmente vermelho para Curitiba, cidade que a FAPESP coloca entre as que mais enfrentarão problemas com a coronavírus.
