
SAMUEL WAINER (I)
Quem quiser entender parte importante da história dos jornais brasileiros tem de ler o livro “Ele estava lá”, de Karla Monteiro, Companhia das Letras. Parte da vida e obra de Samuel Wainer, o fundador da Última Hora, para mostrar, ao mesmo tempo, a ampla engrenagem de ligações da mídia impressa com os governos. E com os grandes empresários, como Euvaldo Lodi e conde Matarazzo, dentre outros.
SAMUEL WAINER (II)
Wainer – pai do cineasta João Wainer -, foi casado (terceiro casamento) com Danuza Leão, uma socialite carioca disputadíssima por sua beleza. Natural da Betsarabia, Samuel conseguiu driblar as autoridades, “provando” ser brasileiro nato, com o que – só com o que – poderia ser diretor de jornal. A marca mais forte desse personagem que muito mercandejou a notícia e a opinião de UH, foi a fidelidade que teve com Getúlio Vargas.
SAMUEL WAINER (III)
A histórica entrevista com que Vargas, em 1949, deu a Wainer, na fazenda Santos Reis, em São Borja, RS, colocou o ex-ditador de novo no mundo da política, levando-o, em 1950, a voltar à Presidência da República. Dessa vez pelo voto popular.
UH NO PARANÁ
A propósito: lembro-me bem da noite em que uma horda de estudantes, a maioria do tradicional Colégio Santa Maria, promoveu a depredação da Sucursal da Última Hora no Paraná. Foi no alvorecer da ditadura que se iniciara em 1964. Localizada numa das lojas do Edifício Asa, Rua Voluntários da Pátria, 475, o jornal já não mais pertencia a Wainer. Era propriedade – pelo menos oficialmente – de Ari de Carvalho. Os estragos foram enormes.

UH NO PARANÁ – 2
O fato é que uma parte do “crème” do jornalismo paranaense compunha a redação da Sucursal de UH, comandada pelo histórico Mussa José Assis que, antes, havia secretariado a edição da UH Paulista. Aramis Millarch, Vinicius Coelho, Celina Luz, Nelson Faria, Jairo Regis, Célio Heitor Guimarães, Walmor Weiss, Pery de Oliveira – eram alguns dos nomes que garantiam um noticiário quente do Paraná.
UH NO PARANÁ – 3
Em tempos como aqueles, começo dos 1960s, quando era quase uma aventura poder falar via interurbano para São Paulo, Última Hora tinha desenvolvido sua logística especial. O noticiário, numa determinada hora da tarde, era levado de caminhão a Registro,SP, onde era apanhado por outro veículo. O caminhão voltava com remessas feita pela UH paulista.
NICETTE E PAULO
Lembro-me bem dos dias especiais em que o mundo produtor de vida cultural tinha, em Curitiba, a participação de Paulo Goulart e Nicette Bruno. Foi nos começos dos 1960, governo Ney Braga. No Guaíra, o grande centro cultural daqueles dias – ao lado da Biblioteca Pública – Otávio Ferreira do Amaral Neto era o homem certo no lugar certo. A ele coube comandar, ou dar a partida na grande revolução teatral que tivemos. “Quem se lembra da Megera Domada”?

NICETTE E PAULO (II)
Em poucos dias o casal, irradiando comunicação e simpatia, identificou-se com o universo para o qual atuava. Com os dois, Ney começou a transformar Curitiba num celeiro teatral. E mais que isso: se uma peça dava certo em Curitiba, poderia, então correr o país. Ney abriu os cofres do Banestado para os palcos, o que possibilitou que além do casal Paulo-Nicette, outros nomes de grandeza ímpar viessem para cá. Um deles, Cláudio Correa e Castro, que acabou casando com Eliana Kwasinski, curitibana. Outro, o diretor José Renato, uma parte notável da história do teatro brasileiro.

