segunda-feira, 23 fevereiro, 2026
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Possiede, pregador da segurança

João Gilberto Possiede
João Gilberto Possiede

Do volume 7 do meu livro “Vozes do Paraná Retratos de Paranaenses”

“João Gilberto Possiede lembra um personagem de histórias infantis, um avô absolutamente simpático, à disposição dos filhos dos filhos e de todos os que dele se cercam.

O sorriso é, no mínimo, qualificável de “cândido” – de candura. Mas jamais um sorriso meloso, daqueles exibidos pelos que precisam e buscam conquistar apoios a qualquer custo.

Enfim, aos 84 anos, Possiede é assim mesmo, sem retoques: agradavelmente aberto ao interlocutor, simples nas formulações de conceitos – “afinal, para que complicar as coisas?”, parece perguntar -, e estabelece pontes com o próximo, clientes, amigos, auxiliares, ou companheiros do mundo dos seguros.

Ah, acabamos de entrar nesse universo que ele conhece desde os 15 anos de idade, familiaridade adquirida quando resolveu trabalhar, e ingressou num ramo da economia do qual nunca mais se afastou. E que, até por essa persistência, premiou Possiede com amplo reconhecimento no Paraná e no país.

Ele é, para usarmos uma das expressões da moda – mas muito adequada para classificá-lo – um ícone da área.

2 – AVÔ AGUEIRO

A família Possiede, de origem italiana, começou no Paraná em Morretes, como boa parte dos imigrantes que foram chegando a partir de 1875. O avô Possiede era homem simples, posses limitadíssimas, o que não impediu de criar uma grande e sólida família: era “agueiro”, o que servia água para os operários que construíam a estrada de ferro Paranaguá-Curitiba.

Nas raízes de João Gilberto há, pois, alguma forma de vinculação forte com esse marco paranaense, a ferrovia concebida pelos engenheiros Rebouças. O pai de João Gilberto (ele Possiede) e a mãe (Robaça, também de origem italiana, apesar da grafia do nome), foram partes daqueles que começaram a dar vida ao bairro do Cristo Rei, em Curitiba, entre os anos 1920 e 40.

3 – A GRANDE PREGAÇÃO

João Gilberto Possiede não é homem de um tema apenas. Embora, claro, o mundo seguro esteja no topo de seus interesses. Por ele, às vezes veste-se de catequista e já saiu Brasil a fora, a explicar o seguro, desde seus primórdios, quando os donos de caravana resolveram criar algum tipo de garantia para se ressarcir de eventuais perdas de camelos. “Foi daí que nasceu o mutualismo”, explica, numa curiosa imersão na história do seguro, que passa pelo cântico de Martinho da Vila, “segure tudo o que foi conquistado”.

Não é obcecado pela modalidade, mas sabe quão importante é o seguro garantia. Uma de suas preocupações atuais, por isso, volta-se à universalização do seguro garantia judicial, ainda não aceito em certas varas da Justiça.

Nessa linha de ser aberto para muitas realidades, o líder classista Possiede não se mostra conformado com os dias de escândalos, como os da Petrobrás. Examina momentos da história política recente do país, manifestando simpatia por Fernando Henrique Cardoso. Acha, no entanto, que o ex-presidente “perdeu muito no programa de estatizações”.

– A saída, onde está? – Pergunto.

E, bem-humorado, o patriota confesso e ainda confiante no país – “apesar da falta de comando” -, deixa claro:

– Jamais advogarei aquela solução que dominou o Brasil por anos, anotada no slogan “o último que sair apague a luz”.

A saída, para João Gilberto, será, então, sempre democrática: “Mas com comando forte e muita autoridade. Isso nunca fez mal”.

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