Assessoria – Estar em um bairro valorizado não garante que um imóvel terá valorização equivalente ou será vendido rapidamente. Na mesma rua, apartamentos podem apresentar preços e tempo de comercialização diferentes. Especialistas da Una Imóveis Conectados explicam que características como metragem, idade do imóvel, custos fixos mensais, qualidade da construção e planta influenciam diretamente a decisão dos compradores.
Para Izabel Maestrelli, proprietária da Imobiliária Tantus, esses fatores ajudam a explicar as diferenças de preço entre imóveis próximos. “O tamanho, o valor do condomínio, a idade e a qualidade da construção, a posição dos quartos em relação ao sol e o mobiliário são os pontos que mais diferenciam o preço dos imóveis”, afirma.
Os custos fixos também pesam na decisão. Além do valor venal do imóvel, o comprador precisa considerar despesas como condomínio, IPTU e seguros obrigatórios. “Um dos itens que o comprador mais se preocupa em identificar, além do preço do imóvel, é o custo que terá mensalmente com condomínios que mantêm a portaria 24 horas”, explica Izabel.
Imóveis grandes podem ter público mais restrito
Apartamentos antigos e amplos estão entre os imóveis que podem enfrentar maior dificuldade de comercialização. Segundo Izabel Maestrelli, unidades com 20 a 30 anos de construção e mais de 200 metros quadrados estão entre as menos procuradas. Apesar do espaço, esses imóveis podem exigir gastos maiores com manutenção, condomínio, impostos e reformas.
Para quem compra para investir, os custos devem ser considerados desde o início. “O tamanho é um dos primeiros pontos a considerar, porque um imóvel grande tem custos de manutenção mais altos”, acrescenta Izabel. Na avaliação da proprietária da Imobiliária Tantus, apartamentos de dois quartos, bem localizados e com portaria remota apresentam características interessantes para quem busca combinar rentabilidade e liquidez.
O novo perfil do comprador
As mudanças no comportamento dos consumidores também alteraram a percepção sobre o que torna um imóvel atrativo. Para Antonieta Area Lima, sócia proprietária da Imobiliária Padre Anchieta, a pandemia antecipou transformações que já estavam em curso.
“Com o crescimento do trabalho híbrido, as pessoas passaram a valorizar mais os ambientes que possam ser utilizados para home office e, assim, a procura por imóveis com boa iluminação, ventilação natural e espaços verdes aumentou”, explica.
A localização continua sendo um dos principais fatores, mas está cada vez mais relacionada à rotina do morador. “Hoje, morar perto do trabalho é um sinônimo de conforto e praticidade, buscando reduzir o tempo gasto em deslocamentos e ter mais praticidade no dia a dia”, conta Antonieta.
Reforma pode ajudar, mas exige cautela
Melhorias podem aumentar a atratividade de um imóvel, principalmente quando envolvem conservação e infraestrutura. Antonieta recomenda priorizar intervenções básicas e evitar reformas muito personalizadas. “Em nosso ponto de vista, melhorias básicas como reforma hidráulica, pintura, reforma elétrica e climatização são bem-vindas e ajudam a valorizar o imóvel”, diz.
Já investimentos elevados exigem uma análise mais cuidadosa. “Reformas personalizadas e investimentos altos, via de regra, não valem a pena, pois não se recupera o investimento feito”, pontua.
O que observar antes de comprar
Para quem busca um imóvel como investimento, a valorização da região deve ser analisada junto com a facilidade de revenda. Antonieta destaca três aspectos: a localização e a infraestrutura do entorno; as características do imóvel, como posição solar, número de cômodos, vagas e qualidade dos acabamentos; e o preço de compra. “É fundamental comparar o preço por metro quadrado para evitar dificuldade em uma futura revenda”, finaliza a especialista.
Assim, o endereço é apenas uma parte da equação. Tamanho, idade, planta, custos mensais, conservação, infraestrutura do edifício e preço de compra também podem determinar se um imóvel acompanhará a valorização da região ou perderá espaço diante de outras opções.
