quarta-feira, 29 julho, 2026
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REPERCUTINDO: PESQUISADORA DIZ QUE PANDEMIA MELHORA CONSUMO E PRODUÇÃO DE ERVA-MATE

Edina Moresco, pesquisdadora da Embrapa Florestas

Baixos estoques reguladores da Argentina e aumento do consumo de agora, tempos de Coronavírus, fazem produto estar na ordem do dia.

 

A história do Paraná é marcada por ciclos econômicos bem definidos: Ouro, Erva Mate, Madeira, Café e Soja. Isso sem que esqueçamos a importância industrial do Estado.

E como o leitor está ciente, a erva- mate volta à ordem do dia. A demanda pelo produto, ainda importante na economia dos estados sulinos, Uruguai e Argentina (e um pouco no Paraguai) só aumentou na Pandemia.

Os estoques reguladores argentinos estão em grande baixa, enquanto a arroba da erva-mate chega a 17,67, uma alta expressiva.

Tanto do ponto de vista econômico quanto cultural, a erva-mate é parte importante da realidade paranaense, fato observado em recente material jornalístico da FAEP, publicado na semana pela Coluna. O ponto de partida da análise da citada foi a cuia do chimarrão.

A erva-mate, como expressão cultural, hábito indissociável da alma paranaense, esbarra agora com os perigos da Pandemia. Pode-se partilhar o chimarrão?

Edina Moresco, cientista de porte, da área de Genética e Melhoramento das Plantas, da Embrapa(vide correspondência da pesquisadora em Dos Leitores, nesta edição),  e outros pesquisadores, estão discutindo o mate.

Essa é uma realidade que faz empreendedores de porte, como o advogado Luiz Fernando de Queiroz, investir em centenas de hectares em São Mateus, implantando fazenda de erva- mate, fato de início até tomado como “coisa de paranismo exacerbado” por alguns observadores, dá, também, a dimensão do encanto que o mate exerce como símbolo paranaense.

Luiz Fernando de Queiroz

Queiroz, diretor da Editora Bonijuris e espírito comunitário que mantém com a esposa, Eilin, o projeto Zeladores da Cidade, na verdade previu a retomada da importância da era mate há 3 anos, quando iniciou seu expressivo cultivo em São Mateus do Sul.

A seguir, perguntas e respostas da ´pesquisadora, PhD Edina Moresco:

MUDANÇA DE HÁBITOS

P) A erva-mate sobreviverá à Pandemia, já que o chimarrão é essencialmente partilhado na cuia comum?

R) Acredito que o consumo aumentou pela necessidade de mudança de hábito de consumo do chimarrão em cuias individuais, e também por estarmos mais dentro de casa. Neste caso, acredito que o consumo de chás em geral, até o chá tostato de mate tenha sofrido impacto positivo.

P) Essa mudança será meramente passageira? Não.

Creio que essa mudança forçosa, veio para ficar. Com o advento da pandemia, estamos mais cuidadosos com a saúde, o que nos faz refletir sobre hábitos mais saudáveis de consumo.

Sai o refrigerante e sucos prontos e entra o chá gelado; sai o compartilhamento da cuia e chega o novo “a roda de chimarrão” com cuia individual.

P) A erva-mate ocupa muito as discussões científicas na Embrapa? R) Como a maioria dos colegas da Embrapa Florestas é de consumidores de erva-mate, nos vemos discutindo (nas reuniões online) sobre nossos mais novos modelos de cuia e bombas, e também as últimas descobertas

Durante esta incursão pandêmica, me vi interessada em novas marcas e origens de chimarrão.

Então, acredito que como estamos todos confinados, acabamos direcionando parte de recursos de viagens e eventos culturais no consumo dessas experiências sensoriais dentro de uma cuia de chimarrão ou uma boa xícara de chá.

P) Aponte fatores que estariam alavancando o consumo da erva-me…

R) Há outros fatores que impulsionam o consumo, neste e contexto da pandemia, como sua atuação comprovada em doenças consideradas de risco (pressão alta, diabetes, colesterol).

Conforme li em uma reportagem recente da BBC, vivemos uma sindemia e não somente uma pandemia.

(O termo sindemia foi cunhado pelo antropólogo médico americano Merrill Singer na década de 1990 para explicar uma situação em que “duas ou mais doenças interagem de tal forma que causam danos maiores do que a mera soma dessas duas doenças”.) Link para a reportagem da BBC: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-54493785

P) Então, tudo indica que o momento é muito favorável ao cultivo de erva-mate?

R) Sim, acredito que a erva-mate, assim como outras fontes alimentares que promovem uma vida mais saudável, devem ter seu consumo aumentado no contexto desta sindemia.

Vista geral da Embrapa Florestas, em Colombo
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