
Há uma nova geração de delegados federais, juízes, promotores, procuradores da República (não confundir com procuradores federais, eles são outra categoria funcional) que estão dando persistente e eficaz combate à corrupção e aos desmandos no país. Eles não devem suas posições a indicações e apadrinhamentos. São de uma geração nova, nascida e criada em plena democracia, e resultam de puxados concursos. Pura meritocracia.
Os dois melhores exemplos disso, em plano nacional, são Lava Jato, em andamento, e o processo do Mensalão, que colocou na cadeia notáveis da República, banqueiros, políticos, operadores estabelecidos em muitas frentes.
O Mensalão teve como protagonista um homem de origem muito humilde, negro (portanto, parte de uma maioria marginalizada da sociedade) que se destacara no Ministério Público e acabou presidente do STF. E que não foi para a suprema corte ‘por ser parte de cota racial’, como dizem seus desafetos. Foi escolhido por méritos notórios, qualidades que confirmaria ao longo do julgamento do Mensalão, embora sua proverbial ‘grossura’ no trato com o mundo ao seu redor.
A introdução é para sugerir a leitura de uma ampla e substantiva entrevista com Diogo Castor de Mattos, 29, curitibano, que está na revista Ideias de janeiro. Ele é procurador da República, por concurso, desde 2013. É parte substantiva da Lava Jato, atuando ao lado de seus companheiros num edifício da Rua Marechal Deodoro, em Curitiba.
“São de uma geração nova, nascida e criada em plena democracia, e resultam de puxados concursos. Pura meritocracia. Não têm compromissos políticos e/ou com padrinhos”
Diogo Castor de Mattos, usando da independência que a função lhe garante (e ela é ampla), dá, por exemplo, sua opinião sobre a justiça estadual do Paraná: “A percepção que tenho é de que a justiça estadual é mais ‘conservadora’. Vemos algumas decisões de soltura inexplicáveis, como a de Luiz Abib…”

Sem simpatias por partidos políticos, Diogo alfineta: “Pessoalmente acho que corrupção não tem bandeira nem partido”.
Filho de uma advogada (Cristina Castor de Mattos, procuradora aposentada da Prefeitura de Curitiba, irmã de Belmiro Castor) e de um procurador estadual de Justiça, Delivar Thadeu de Mattos (in memoriam), Diogo é uma vocação de tenista perdida para o MP Federal. Pelo menos esta é a opinião de José Lúcio Glomb, ex-presidente da OABPR e presidente do Instituto dos Advogados do Paraná que testemunhou muitas performances do moço numa quadra.
Diogo não parece ter mais tempo para o tênis. Tem uma vida corrida, com agenda apertadíssima. Parece mesmo um tangido pela pressa do fazer, ao lado de companheiros da Lava Jato. Tempo que estende até à noite, na cadeira de Direito Penal na PUCPR, de que é professor.
