
O filme “Chatô, o Rei do Brasil”, que estreou em Curitiba (Cinemark Shopping Barigui), produzido por Guilherme Pontes desde 1994, é importantíssimo para que se entende alguns momentos do Brasil contemporâneo.
A fita enfoca a vida e obra de Assis Chateaubriand, sem enfeites, com uma certa crueza, fiel a marcos do impressionante ser humano que foi o empresário e jornalista, fundador dos Diários e Emissoras Associados. E a partir de Chatô enxerga-se como funcionava, em parte, o Brasil daqueles dias. Pelo menos o Brasil que se conseguia enxergar.
Para que se tenha uma ideia: os Associados (incluindo a revista O Cruzeiro, com milhões de exemplares semanais) foram, ‘mutatis mutandi’, superiores ao que se tem hoje com o sistema Globo. Em importância nacional e repercussão popular.
“Curitiba tem nos meios jornalísticos alguns profissionais daqueles dias – como Ayrton Luiz Baptista, Adherbal Fortes Sá, Luiz Geraldo Mazza; e eu mesmo passei anos nos Associados comandado por Adherbal G.Stresser; isso sem falar em jornalistas que também atuaram no DP naqueles dias, e que depois trocaram o jornalismo pelo Direito, como René Dotti…”
Por anos, os Diários Associados foram, de fato, os reis” do país.
Curitiba tem nos meios jornalísticos alguns profissionais daqueles dias – como Ayrton Luiz Baptista, Adherbal Fortes Sá, Luiz Geraldo Mazza; e eu mesmo passei anos nos Associados comandados por Adherbal G.Stresser; isso sem falar em jornalistas que também atuaram no DP naqueles dias, e que depois trocaram o jornalismo pelo Direito, como René Dotti, Eduardo Rocha Virmond; e Leo de Almeida Neves (que foi para a política), Sylvio Back (cinema).
O ENGRAÇADO
Alguns deles poderão narrar até episódios hilariantes em torno da aura de Chateaubriand e a mística que acompanhava seu nome. De qualquer forma, o que se pode garantir é que Chatô foi indissociável do Brasil dos anos 1950 a 80. Para alguns, foi visto como chantagista (chantageava milionários em busca de doações para o MASP, o museu que montou em São Paulo, uma das glórias culturais do Brasil). Para outros, será sempre um homem “essencial”.
A VISITA AO DP
Eu prefiro, neste rápido “insight” recordar um momento cômico propiciado pelo Maneco, um mulato simples, que era o contínuo da redação do Diário do Paraná, muito conhecido pelo bom humor.
Um dia – e isso é absolutamente verdade – “alguém” se apresentou no balcão do DP como Assis Chateaubriand:
– Quero falar com o Adherbal Stresser, disse.
– A quem devo anunciar? – perguntou Maneco.
– Diga que é o Assis Chateaubriand…
– Oh! Louco, pare de brincadeira, replicou-lhe Maneco, com toda desenvoltura que o caracterizava.
O visitante era mesmo o “Rei do Brasil”. E Maneco, refeito do susto, foi cumprimentado por Chateaubriand, que o elogiou a Stresser.
