domingo, 12 abril, 2026
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Para avaliar um Rei

René Dotti, Léo de Almeida Neves e Sylvio Back
René Dotti, Léo de Almeida Neves e Sylvio Back

O filme “Chatô, o Rei do Brasil”, que estreou em Curitiba (Cinemark Shopping Barigui), produzido por Guilherme Pontes desde 1994, é importantíssimo para que se entende alguns momentos do Brasil contemporâneo.

A fita enfoca a vida e obra de Assis Chateaubriand, sem enfeites, com uma certa crueza, fiel a marcos do impressionante ser humano que foi o empresário e jornalista, fundador dos Diários e Emissoras Associados. E a partir de Chatô enxerga-se como funcionava, em parte, o Brasil daqueles dias. Pelo menos o Brasil que se conseguia enxergar.

Para que se tenha uma ideia: os Associados (incluindo a revista O Cruzeiro, com milhões de exemplares semanais) foram, ‘mutatis mutandi’, superiores ao que se tem hoje com o sistema Globo. Em importância nacional e repercussão popular.

“Curitiba tem nos meios jornalísticos alguns profissionais daqueles dias – como Ayrton Luiz Baptista, Adherbal Fortes Sá, Luiz Geraldo Mazza; e eu mesmo passei anos nos Associados comandado por Adherbal G.Stresser; isso sem falar em jornalistas que também atuaram no DP naqueles dias, e que depois trocaram o jornalismo pelo Direito, como René Dotti…”

 

Por anos, os Diários Associados foram, de fato, os reis” do país.

Curitiba tem nos meios jornalísticos alguns profissionais daqueles dias – como Ayrton Luiz Baptista, Adherbal Fortes Sá, Luiz Geraldo Mazza; e eu mesmo passei anos nos Associados comandados por Adherbal G.Stresser; isso sem falar em jornalistas que também atuaram no DP naqueles dias, e que depois trocaram o jornalismo pelo Direito, como René Dotti, Eduardo Rocha Virmond; e Leo de Almeida Neves (que foi para a política), Sylvio Back (cinema).

O ENGRAÇADO

Alguns deles poderão narrar até episódios hilariantes em torno da aura de Chateaubriand e a mística que acompanhava seu nome. De qualquer forma, o que se pode garantir é que Chatô foi indissociável do Brasil dos anos 1950 a 80. Para alguns, foi visto como chantagista (chantageava milionários em busca de doações para o MASP, o museu que montou em São Paulo, uma das glórias culturais do Brasil). Para outros, será sempre um homem “essencial”.

A VISITA AO DP

Eu prefiro, neste rápido “insight” recordar um momento cômico propiciado pelo Maneco, um mulato simples, que era o contínuo da redação do Diário do Paraná, muito conhecido pelo bom humor.

Um dia – e isso é absolutamente verdade – “alguém” se apresentou no balcão do DP como Assis Chateaubriand:

– Quero falar com o Adherbal Stresser, disse.

– A quem devo anunciar? – perguntou Maneco.

– Diga que é o Assis Chateaubriand…

– Oh! Louco, pare de brincadeira, replicou-lhe Maneco, com toda desenvoltura que o caracterizava.

O visitante era mesmo o “Rei do Brasil”. E Maneco, refeito do susto, foi cumprimentado por Chateaubriand, que o elogiou a Stresser.

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