quinta-feira, 15 outubro, 2026
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Papa Leão XIV: O câncer de pulmão e a detecção precoce

Assessoria – O diagnóstico de câncer de pulmão do Papa Leão XIV, de 71 anos, trouxe à atenção pública o adenocarcinoma pulmonar, um dos principais tipos de tumor maligno que afetam os pulmões. Na terça-feira (13), o pontífice passou por uma cirurgia em Roma, para retirada do lobo inferior do pulmão direito. Segundo boletim médico divulgado pelo Vaticano, o procedimento foi realizado sem complicações e a análise do tecido confirmou a presença de um adenocarcinoma.

O nódulo havia sido identificado durante exames de rotina. Ao anunciar a cirurgia, o próprio Papa informou que a alteração estava localizada e havia sido descoberta em uma fase muito inicial.

O caso chama atenção para uma característica importante do câncer de pulmão: a doença pode se desenvolver sem apresentar sintomas nas fases iniciais, dificultando sua identificação. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve registrar 35.380 novos casos de câncer de pulmão por ano entre 2026 e 2028, sendo 18.730 entre homens e 16.650 entre mulheres. O tumor está entre os mais incidentes no país e permanece como um importante desafio para a saúde pública.

Para a médica Thais Almeida, especialista em Oncologia Clínica do IOP – Instituto de Oncologia do Paraná, o diagnóstico precoce é um dos fatores que mais influenciam as possibilidades de tratamento. “O câncer de pulmão costuma ser associado a sintomas respiratórios importantes, mas nem sempre eles aparecem no início da doença. Em muitos casos, o tumor cresce silenciosamente. Quando conseguimos identificar uma alteração ainda localizada, temos a possibilidade de avaliar tratamentos com intenção curativa, incluindo a cirurgia, dependendo das características do paciente e do tumor.”

O que é o adenocarcinoma pulmonar?

O adenocarcinoma é um subtipo do câncer de pulmão de não pequenas células, grupo que representa a maioria dos tumores malignos pulmonares. Ele se desenvolve a partir de células com características glandulares, geralmente localizadas nas regiões mais periféricas dos pulmões.

Embora o tabagismo seja o principal fator de risco para o câncer pulmonar, o adenocarcinoma também pode ocorrer em pessoas que nunca fumaram. A doença apresenta características biológicas variadas. Alguns tumores crescem lentamente, enquanto outros podem apresentar comportamento mais agressivo. Por isso, além de identificar o tipo de câncer, é fundamental avaliar sua extensão e possíveis alterações moleculares que possam orientar o tratamento.

“Hoje sabemos que dois pacientes com adenocarcinoma pulmonar podem apresentar doenças biologicamente diferentes. A análise do tumor permite identificar características que ajudam a definir a melhor abordagem, inclusive a possibilidade de utilizar medicamentos direcionados a determinadas alterações genéticas”, explica a oncologista.

Por que a cirurgia foi indicada no caso do Papa?

Segundo as informações oficiais do Vaticano, o nódulo pulmonar foi identificado em fase inicial e estava localizado. A equipe médica optou pela retirada do lobo inferior do pulmão direito por meio de cirurgia videoassistida, técnica minimamente invasiva que utiliza uma câmera e instrumentos cirúrgicos introduzidos por pequenas incisões.

A cirurgia é uma das principais possibilidades de tratamento para determinados cânceres de pulmão localizados, quando o paciente apresenta condições clínicas adequadas para o procedimento.

A escolha depende de fatores como tamanho e localização do tumor, comprometimento de linfonodos, presença ou ausência de metástases e capacidade respiratória do paciente. A retirada cirúrgica do tumor, entretanto, não significa automaticamente que todo o tratamento esteja concluído. Após a operação, a análise detalhada do material retirado ajuda a determinar o estágio da doença e a necessidade de terapias complementares.

“Quando um tumor pulmonar pode ser retirado cirurgicamente, avaliamos uma possibilidade importante de tratamento com intenção curativa. Mas a decisão sobre os próximos passos depende do resultado anatomopatológico definitivo, da extensão da doença e das características biológicas do câncer. Em alguns casos, a cirurgia é suficiente. Em outros, pode ser necessário complementar o tratamento. Vale ressaltar que estão disponíveis novas tecnologias, com cirurgias modernas, robóticas e por videolaparascopia, com técnicas minimamente invasivas que facilitam a recuperação”, esclarece a especialista.

Diagnóstico precoce pode fazer diferença

O caso do Papa Leão XIV reforça a importância da investigação de alterações pulmonares e da avaliação individualizada dos fatores de risco. Para pessoas com histórico importante de tabagismo, a tomografia computadorizada de baixa dose pode ser considerada como exame de rastreamento, conforme critérios específicos e avaliação médica. O procedimento não é recomendado indiscriminadamente para toda a população.

O INCA destaca que o rastreamento em pessoas de maior risco deve considerar os possíveis benefícios e riscos dos exames, incluindo a necessidade de investigar alterações que podem não representar câncer.  “Nem todo nódulo pulmonar é câncer, assim como nem todo câncer de pulmão provoca sintomas no início. O fundamental é avaliar cada situação corretamente, identificar quem apresenta maior risco e investigar alterações suspeitas. Quanto mais cedo conseguimos diagnosticar determinados tumores, maiores podem ser as possibilidades de tratamento. O rastreio é indicado principalmente em pacientes tabagistas, sendo uma das únicas formas de diagnóstico precoce”, finaliza Thais Almeida, oncologista clínica do IOP.

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