terça-feira, 14 julho, 2026
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OTTO LEOPOLDO WINCK LANÇA O SEU SEGUNDO ROMANCE

Será no Gilda Bar e Restaurante, em Curitiba, no dia 9, sábado.

Otto Leopoldo Winck

Otto Leopoldo Winck autografa o seu segundo romance, Que fim levaram todas as flores, no dia 9 de novembro (sábado), a partir das 16 horas, no Gilda Bar e Restaurante, na Rua Cândido Lopes, 323, no centro de Curitiba. Publicado em parceria pelas editoras Kotter, de Curitiba, e Patuá, de São Paulo, o livro – na opinião do escritor, editor e jornalista Fábio Campana, “o grande acontecimento literário deste ano” – tem 294 páginas e preço promocional de R$ 49,90 apenas no dia do lançamento. Durante o evento, o músico e escritor Flávio Jacobsen faz discotecagem com canções mencionadas na obra. A entrada é franca.

ROMANCE HISTÓRICO

Romance histórico, Que fim levaram todas as flores problematiza os encontros e desencontros de três amigos, Ruy, Adrian e Elisa, que se tornam adultos no final da década de 1960, inicialmente em uma cidade do interior do Paraná e depois em Curitiba. A narrativa chega ao século 21, com os impactos da passagem do tempo na sociedade e na trajetória dos personagens.

livro “Que fim levaram todas flores”

GERAÇÃO DOS 60

A escritora Marcia Denser, no texto de orelha do romance, observa que a geração dos anos 60, recriada por Otto Leopoldo Winck, foi aquela que precisou romper totalmente com o passado e a tradição, ao mesmo tempo em que também foi a última que sonhou com a utopia absoluta. “O sonho foi breve, mas enquanto durou – um presente eternamente grávido de todo o futuro possível – ele [o sonho] foi bem real”, afirma Denser, autora de Tango fantasma: contos (1976) e Caim: sagrados laços frouxos (2006).

USOS, COSTUMES, CAUSOS

Para resenhistas, críticos e leitores de Curitiba, pode-se acrescentar:

o mais recente romance de Otto Leopoldo Winck é um amplo repositório ficcional sobre usos, costumes, dados e causos de uma Curitiba já perdida, no entanto ainda presente na Curitiba atual.

Mas Que fim levaram todas as flores também é ficção, literatura, resultado de um trabalho rigoroso com a linguagem e a estrutura narrativa – o romance ainda flerta, por meio de uma estratégia original, com a meta e a autoficção.

COM JAMIL SNEGE

A obra dialoga, por exemplo, com Tempo sujo, novela de Jamil Snege publicada em 1968, narrativa cultuada sobretudo por escritores – atualmente fora de circulação. Que fim levaram todas as flores também dialoga com o amplo arco cultural que perpassa os anos 60: da Jovem Guarda à Tropicália, de Marcuse ao Livro vermelho, do existencialismo ao movimento hippie, de Bob Dylan a Geraldo Vandré.

“A escolha de Otto é o grande painel com os rumos do pensamento e dos movimentos da época”, sintetiza Marcia Denser, que não deixa de advertir: “Um aviso ao leitor: você não vai conseguir parar de ler”.

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PARA CONHECER OTTO

Otto Leopoldo Winck nasceu no Rio de Janeiro (RJ) em 1967. Após breve temporada em Porto Alegre, radicou-se na capital do Paraná em 1982.

Fábio Campana: “O grande acontecimento literário do ano”

Doutor e mestre em Estudos Literários pela Universidade Federal do Paraná, em 2006 foi vencedor do prêmio da Academia de Letras da Bahia com o romance Jaboc, publicado em 2007 pela editora Garamond. Em 2012 foi o vencedor do Prêmio Governo de Minas Gerais de Literatura, na categoria poesia, e em 2017 lançou pela Editora Appris o ensaio Minha pátria é minha língua: identidade e sistema literário na Galiza – resultado de sua pesquisa de doutorado. Em 2018 a Kotter Editorial publicou Cosmogonias, a sua produção poética dos últimos cinco anos.

Leciona na Pontifícia Universidade Católica do Paraná e no programa de pós-graduação stricto sensu da Uniandrade, em Curitiba.

COMO APERITIVO:

Para o leitor da coluna/blog, aqui vai fragmento do romance de Otto, velho amigo, e a quem perfilei em meu livro “Vozes do Paraná, Retratos de Paranaenses”:

«As vezes eu tenho a impressão que todos nós éramos poetas e sartreanos. Cometíamos a insensatez não apenas de versificar como também a de mostrar esses mal traçados versos aos amigos em noites regadas a álcool e boemia. Nos cafés da Boca, na Velha Adega, no bar do Leleco ou no Bar Okey nos reuníamos em torno de canecos de chope ou de garrafas de vinho ordinário – e, depois de umas bebericadas e conversas aleatórias, alguém aventava:

– Olhem, escrevi umas coisinhas.

Em seguida sacava do bolso um pedaço amarrotado de papel e o fazia circular na roda. Os colegas liam, franziam as sobrancelhas, murmuravam interjeições de aprovação ou censura, e depois sentenciavam:

– É seu? Bom, muito bom.

Ou:

– Corta esse verso aqui. E esse também, que fica melhor.

Ou:

– Cara, não se meta a metrificar se você não sabe escandir sílabas.

Ou:

– Muito Drummond. Está na hora de diversificar influências.

Ou:

– Uma merda. Joga fora. »

SERVIÇO:

Lançamento de Que fim levaram todas as flores, (Kotter/Patuá), romance de Otto Leopoldo Winck, 294 páginas, R$ 49,90.

Data: 9 de novembro (sábado), a partir das 16 horas.

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