Assessoria – O Dia Mundial da Conscientização do Autismo, celebrado sempre em 2 de abril, é uma data que reforça a necessidade de um olhar cuidadoso e responsável sobre as pessoas que estão dentro do espectro autista. Segundo dados do IBGE do ano passado, cerca de 2,4 milhões de brasileiros possuem o diagnóstico positivo para o transtorno, o que corresponde a quase 1,2% da população.
Ao longo dos anos, a forma de diagnosticar e acompanhar o Transtorno do Espectro Autista (TEA) mudou. Em 2013, a American Psychiatric Association propôs uma nova categorização para o espectro: ao invés de categorias como Síndrome de Asperger, transtorno desintegrativo e outras classificações, surgiu o conceito de nível de suporte, baseado nas necessidades dos indivíduos no dia a dia.
Quais são os níveis de suporte do espectro autista?
Em linhas gerais, o TEA pode ser classificado em três níveis de suporte, a depender da intensidade do transtorno. No nível 1, a pessoa possui dificuldades sociais e de comunicação, mas que exigem um suporte pontual e permitem maior autonomia no dia a dia. Já no nível 2, há uma tendência à limitação na interação e rigidez comportamental, o que demanda um apoio frequente e estruturado.
Por fim, no nível 3, as dificuldades são mais intensas, frequentemente com comunicação limitada ou não-verbal, além de uma alta dependência para as atividades diárias, o que demanda um suporte contínuo. Thaís Nakayama, psiquiatra e professora de pós-graduação da Afya Educação Médica Curitiba, explica as principais diferenças e questões a respeito dos três níveis.
Quem possui nível 1 de suporte está mais próximo de uma vida autônoma?
“Muitas pessoas nesse nível recebem o diagnóstico de forma tardia, por apresentarem uma vida relativamente funcional. Entretanto, elas buscam ajuda devido ao sofrimento que algumas atividades trazem, como dificuldades de comunicação, intolerância a estímulos sensoriais e inabilidades de socialização. Dependendo dos prejuízos, é possível direcionar o suporte: quem tem intolerância a estímulos sonoros pode utilizar fones ou abafadores, quem se incomoda com ambientes muito cheios pode priorizar salas com menos estímulos sensoriais, e assim por diante”, afirma Thaís.
Por que os níveis 2 e 3 de suporte são mais graves do que o nível 1?
“Os pacientes dos níveis 2 e 3 exigem maior assistência para atividades cotidianas, por causa dos prejuízos significativos de comunicação, linguagem, interação social, estímulos sensoriais, comportamentais e até cognitivos. Uma pessoa no nível 3, por exemplo, muitas vezes não desenvolve a comunicação verbal, o que exige de familiares e cuidadores um aprendizado, para reconhecer a forma como a pessoa se comunica e quais situações a desregulam emocionalmente”, explica a psiquiatra da Afya.
Com acompanhamento adequado, é possível diminuir o nível de suporte?
“Muitos fatores podem influenciar a evolução de um quadro. Alguns pacientes podem, sim, apresentar um ótimo desenvolvimento e, com o tempo, desenvolver habilidade e ser mais tolerantes a incômodos. Dessa forma, o nível de suporte pode mudar com o tempo e a evolução específica de cada indivíduo. Para isso, é muito importante o diagnóstico precoce, a aplicação de terapias, a psicoeducação dos cuidadores e o acompanhamento frequente de psiquiatria, psicologia, terapia ocupacional, neurologia e fonoaudiologia”, ressalta a psiquiatra.
Quais elementos compõem o diagnóstico de autismo?
“O que buscamos são dificuldades de linguagem (comunicação e interação social), processamento sensorial e comportamento (rigidez, necessidade de previsibilidade, dificuldade de adaptação a mudanças). Nisso, conseguimos identificar se há atrasos no desenvolvimento da linguagem, baixo contato visual, dificuldade de regular emoções, pouco interesse no contato social e intolerância a estímulos sonoros. Esses sinais servem de alerta para pais e responsáveis, indicando que seria importante uma avaliação médica especializada”, reforça Thaís.
