quarta-feira, 6 maio, 2026
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Os lugares que nos deixaram

Foto: Divulgação/Castello Trevizzo.

(Jornal eletrônico Expresso, de Curitiba)

Dia desses, passeando pelas ruas da cidade, a gente começou a reparar em um monte de portinhas fechadas… E, quase no mesmo instante, chegou a mensagem da nossa leitora Ana Justi: “O que vocês acham de uma nota de lugares legais e antigos de Curitiba que fecharam por conta da pandemia?” A pulga coçou atrás da orelha, e fomos atrás de alguns casos. Concentramo-nos em restaurantes e cafés, um dos setores que mais sentiram os impactos da pandemia.

Alguns exemplos: além do Empadas Caruso, de que já falamos aqui, teve o Exprèx Caffè, na Santos Andrade; o Miyako, na Getúlio Vargas; o Bar do Pudim, no centro; e o Castelo Trevizzo, em Santa Felicidade. Nesta semana, a churrascaria Devon’s também anunciou seu fechamento.

(Tribuna do Paraná)

O problema, claro, é nacional – esta reportagem cita alguns exemplos curitibanos e lembra de outros bares tradicionais que fecharam no Rio, em BH, no Recife. E é, claro, compreensível: afinal, não dá para ignorar o perigo do coronavírus.

(Folha de S.Paulo)

907 RESTARANTES

Aos números: A gente d’O Expresso foi sondar a base de alvarás de Curitiba para ver se conseguia encontrar algo a respeito. Foi difícil, mas filtrando aqui e ali, descobrimos que 907 restaurantes, cafés e lanchonetes de Curitiba deixaram de ter alvará ativo ao longo do último ano. Porém… ao mesmo tempo, 493 restaurantes, cafés e lanchonetes iniciaram suas atividades em 2020. Muitos têm alvará no mesmo lugar onde, antes, funcionava outro estabelecimento – que em alguns casos só mudou de dono, ou de nome.

Noves fora, dá para dizer que Curitiba perdeu cerca de 400 restaurantes, lanchonetes e cafés ao longo do último ano. Isso, é claro, é uma estimativa. O bairro de Curitiba com mais restaurantes, cafés e lanchonetes fechados é o Centro, com 92. Depois vem o Sítio Cercado, com 27. Isso sem contar os que estão heroicamente abertos – como o Cosmos Gastrobar, que ficou só em delivery por sete meses em favor do combate à pandemia.

(BBC Brasil)

E você, leitor? Lembra de algum restaurante ou café do coração que fechou as portas? Ou de algum que está aberto e vale a pena prestigiar? Conta pra gente! #comprelocal

FRASE QUE ENCERRA

A frase que encerra esta edição é de um angolano adotado por Curitiba, Jacob Cachinga, em depoimento à revista piauí. Cego por consequência do sarampo e refugiado da guerra civil em Angola, ele se mudou para a cidade aos 11 anos, em 2001. Foi acolhido no Instituto Paranaense de Cegos, ali na Visconde de Guarapuava – onde viveu até os 18 anos, aprendeu a se locomover com autonomia e teve aulas de braile. Dali, ele seguiu à faculdade de Educação Física e ao mestrado, que está concluindo na PUCPR. Além disso, canta no coral Vozes de Angola e é professor voluntário de dança para pessoas cegas. “Sinto como se fosse uma forma de retribuir Curitiba por tudo o que a cidade me proporcionou desde que cheguei aqui, quando criança.”  A gente é quem agradece, Jacob, por tornar a nossa cidade mais humana e plural.  Uma ótima semana e até terça!

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