
A ordem inverteu-se. O processo de negociação da tarifa do ônibus coletivo deveria ser o seguinte: o Sindicato dos Motoristas e Cobradores reivindicaria um aumento, as empresas proprietárias ofereceriam uma contraproposta, haveria uma paralisação ou uma ameaça de paralisação, os dois lados se reuniriam e, touché!, se selaria o acordo. Só então os efeitos desse processo recairiam sobre a prefeitura que teria que negociar um aumento da passagem para reequilibrar os custos da planilha.
BEM NA FOTO?
Entretanto, não foi isso o que aconteceu. Antes, a prefeitura decidiu aumentar a passagem em R$ 0,75 (de R$ 3,70 para R$ 4,25). Depois, deixou que empresas e funcionários se entendessem. No interregno, o prefeito se fez ou deixou-se fotografar ao lado de certo empresário. O resultado é esse: motoristas e cobradores querem um aumento de 15%, mas as empresas alegam que houve a queda no número de passageiros, o que teria afetado a rentabilidade e por isso oferecem 5,4%.
Não são poucos que atribuem até ao Uber a queda do número de passageiros do transporte urbano. Isso sem contar, é claro, o desemprego galopante e a crise econômica que o país atravessa.
ARITMÉTICA BÁSICA
Ora, com o aumento concedido pela prefeitura, a rentabilidade foi, em tese, assegurada. Ah, vá explicar ao empregado de uma empresa de ônibus, por que, mesmo com esse significativo reajuste de R$ 0,75 na passagem, 2+2 não são quatro?
Se houver a greve, a prefeitura será a maior cobrada. Tudo dentro do esperado. Até independente das ilações sobre a “happy hour” em que o prefeito Rafael Valdomiro Greca de Macedo foi flagrado, 3 dias depois do aumento da tarifa, com Gulin, “top” empresário do transporte coletivo.
