Antenor Demeterco Jr. (*)
Os índices, mesmo desatualizados, ainda hoje conspiram contra a educação no Brasil: analfabetos em percentual respeitável, grande número de estudantes que não concluem o ensino médio, poucos chegam à universidade.
Enfrentamos sofrível classificação nos exames PISA – Programa Internacional para Avaliação de Alunos (59° lugar entre 79 países, em 2018).
O suplemento de Educação Superior do The Times de Londres já nos amargou sem menção a nenhuma universidade brasileira (in “Basta de Histórias”, de Andrés Oppenheimer, ed. Brasileira de 2010).
Uma das reações ao descalabro veio do mundo empresarial, com a constatação que a corrupção estava afundando o país: foi criada a aliança “Todos pela Educação” (2005), não muito comentada pela mídia.
MELHORAR O PROFESSOR
É quase unânime a opinião da comunidade educativa internacional (não de seus sindicatos) que a chave para a melhoria é melhorar a qualidade dos professores.
É surpreendente uma conclusão, esta do colombiano César Gaviria, ex-presidente de seu país e da OEA e referente à América Latina, que a desigualdade regional não é um problema de crescimento econômico, mas de educação (in “Basta de Histórias”, p. 53).
Esta última constitui um dado desafiador a certas militâncias ideológicas.

SALVE A CHINA
A China pseudo-comunista nos ensina grandes lições (não políticas), mas educacionais: seus estudantes afluem em massa nas grandes universidades anglo-americanas, e estas mantêm sucursais no país deles.
A universidade paga pelo mundo a fora (durante o curso, ou após o fim do mesmo) permite contratar excelentes professores e gerar patentes que as autofinanciam.
CRUELDADE GRATUITA
Em nosso país vivem de verbas públicas, e convivem com a cruel gratuidade, que faz com que os cidadãos mais pobres paguem o ensino, via impostos, para as classes médias e ricas.
E algumas constituem verdadeiros bolsões do atraso, centros contestadores do regime econômico-social vigente no país, e que não se integram na escalada de progresso que merecemos.
DESEMPREGADOS
A mudança, queiram ou não, é uma das leis da história, e a inércia reacionária (que ridiculamente se considera progressista), será atropelada mais cedo ou mais tarde.
Criam-se faculdades a granel no país, sem qualquer consideração pelo mercado de trabalho, e o resultado é uma grande somação de desempregados de alto custo.

(*) ANTENOR DEMETERCO JUNIOR, advogado; desembargador aposentado do TJPR; estudioso da História do Século 20.

