*Carlos Alberto Sanches
É bom salientar que, durante o trabalho do dia inteiro, não consegue ganhar nem uns míseros copeques (subunidade monetária do Rublo) e comprar aveia para o cavalo. O clima torna-se insuportavelmente trágico, capaz de levar alguém a se afogar nas lágrimas que rolam pela face de Jonas. Ao chegar a casa, à noite, nenhum freguês quer ouvir o que ele tem a dizer sobre a morte do filho. Desatrela o cavalo do trenó e dos arreios e se põe a falar para o equino. Só depois disto, seu espírito se aquieta. E ao leitor, devo dizer que Flaubert e Maupassant, ambos também bons contistas, apressam o passo para voltar. Ao passar um trenó de aluguel, Flaubert dispara uma expressão chula: “A vida é uma caca!” Maupassant, fleumaticamente, reitera que: “O conto em pauta é magnífico”. “Caro leitor! A quem comunicarás a tua tristeza? Tens filho e cavalo?” Vem para mais perto ouvir o lúgubre desfecho da própria boca do protagonista (…) “É assim mesmo, irmão cavalo… não existe mais Cosme Jonitch”.
“Mandou-nos viver muito tempo e foi morrer à toa… o rocim escuta mastigando, e sopra na mão do dono. Então, arrebatado, Jonas põe-se a contar-lhe tudo”.
(*) CARLOS ALBERTO SANCHES, professor de Português e de Literatura
