segunda-feira, 15 junho, 2026
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Opinião de Valor: “República de Curitiba”

Antenor Demeterco Junior (*)

Sergio Moro e Antenor Demeterco Junior.
Sergio Moro e Antenor Demeterco Junior.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva emite frases impactantes advindas de seus raciocínios simplistas, estabelecidos a partir de comparações que formula intimamente.

Comparou-se, de modo infeliz a uma jararaca, em plena sobrevida, capaz de botes, quando atacada em ponto não vital (em 04/03/2016, na sede do PT em São Paulo).

Referiu-se entusiasmado à cuidadosa limpeza de uma cidade que visitou na África, comparando-a a outras do mesmo continente, tendo a impressão que não estava em uma cidade africana.

Nas entrelinhas, o então presidente ofendeu diversas nações, como se estas convivessem com sujeira em seus centros urbanos.

Inconformado com a apuração de crimes envolvendo gente importante de suas relações, na capital do Paraná, criou a expressão “República de Curitiba”, comparando-a, em seus botões, com a chamada (e esquecida) “República do Galeão”.

Esta última foi eminentemente investigativa de um fato só, sem atuação judiciária amplificada como a primeira.

Na noite de 05 de agosto de 1954, convém lembrar (o que Lula fez rasamente em comparação dos dois acontecimentos) o jornalista oposicionista Carlos Lacerda foi ferido a bala no pé, e o major da Aeronáutica Rubens Florentino Vaz, em missão de segurança, recebeu dois tiros, vindo a falecer.

A apuração do fato deu-se com muita justiça (e, dizem alguns, com não muita legalidade) por colegas de farda do morto, lá no aeroporto do Galeão, e a conclusão do inquérito foi fatal: o bandido, em tosco primarismo, foi levado ao local do crime por um taxista com ponto em frente ao Palácio do Catete e possuía ligação direta com pessoas da Guarda Pessoal da Presidência.

O chefão dos pretorianos era Gregório Fortunato, homem da absoluta confiança de Getúlio Vargas, depois assassinado no cárcere, em episódio até hoje não esclarecido.

Crimes de gente importante trazem geralmente como rabicho outros crimes, de que é exemplo aquele do prefeito de Santo André.

Para a felicidade geral da Nação os trabalhos em Curitiba não estão implicando em suicídios e homicídios, mas apenas em traições pessoais (com cobertura legal), que revelam os conchavos infames realizados nas estrebarias político-empresariais do país.

Prosseguem revelando as entranhas da corrupção, que até ontem se jugava impune.

A pior de Lula foi um elogio ao ditador Adolf Hitler, publicado na imprensa em 1979 (cf. Gazeta do Povo, 22/ 04/1994), mas de difícil detectação de que comparações surgiu em sua mente.

Em países europeus, principalmente, com essa prosa, seria levado a sério e passaria por maus momentos nas ruas.

Os maus feitos da política brasileira serão conhecidos em escala planetária, ante a denúncia que ele fez na ONU contra a “República de Curitiba”, cada vez mais prestigiada internamente pelo povo brasileiro.

Mais um tiro no pé de grosso calibre.

(*) Antenor Demeterco Junior, desembargador emérito do TJPR

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