
*Por Cel. Audilene Rosa de Paula Dias Rocha
As pessoas têm o hábito de falar sobre assuntos que desconhecem como se especialista fossem e ainda compartilham tais posicionamentos, denegrindo indivíduos e/ou instituições. Entretanto, isso não é liberdade de expressão, não passa de maledicência. Infelizmente essa prática é tão antiga que Sócrates, filósofo grego, chegou a abordar esse aspecto da vida humana. Sócrates esclareceu como podemos enfrentar a maledicência com inteligência. Para tanto, ele expõe que toda informação que recebemos deve passar por crivos da VERDADE, BONDADE E NECESSIDADE, para, só então, ser propalada.
Assim, a informação para ser propagada deve ser:
Verdadeira: convicção de que o fato é verdade, sem qualquer distorção e desprovido de versões.
Ação de bondade: inclinação a fazer o bem; gostaria que divulgasse se fosse relativo a você.
Necessidade: imprescindibilidade.
O maledicente viola direitos, destrói pessoas e instituições, porém, desafortunadamente, o ser humano ainda não adquiriu essa compreensão. Essa conduta é tão prejudicial que a Bíblia, em Salmos 52:2, alerta que “A tua língua maquina planos de destruição, como uma navalha afiada, ó tu que usas de dolo.” Continua em Romanos 3:13-14 ao ressaltar que “A garganta deles é sepulcro aberto; com a língua, urdem engano, veneno de víbora está nos seus lábios, a boca, eles a têm cheia de maldição e de amargura…”
Além de repercutir diretamente na segurança pública, pois há exigência de intervenção dos órgãos responsáveis por esta. Do ponto de vista pessoal existem danos psicológicos, materiais e físicos, que, ainda que haja indenizações, são impossíveis de serem reparados.
Talvez muitos seres humanos, cuja racionalidade deve diferenciá-los dos demais animais, sempre viveram na insatisfação, no descontentamento, o que gera sua vivência sem graça, amargurada, ressentida a ponto de voltar seus olhos para os outros, seja pessoa, grupo, sociedade, corporação, com toda essa carga negativa, não conseguindo visualizar a verdade. Ninguém é perfeito, visto que tudo é gerenciado pelo homem, um ser imperfeito, com níveis de maturidade e percepções internas diferentes. Lamentavelmente o homem não enxerga o mundo como ele realmente é e sim pelas construções que está no seu interior. Muitos não querem conhecer a verdade, pois esta traz conscientização, o que impossibilita culpabilizar outros por suas falhas ou omissões. A veracidade exige que cada um assuma a obrigação integral pelas suas ações, palavras e sua parcela pelo estado atual de seu povo.
O preconceito é uma forma de maledicência demonstrada por atos e palavras, porque é a rejeição da verdade, é a cauterização mental de mentira a respeito de alguém ou algo. Diante desse cenário, a maledicência constitui-se um meio de não tomar conhecimento da realidade. É uma escolha para aqueles que não a suportam ou não querem aceitar serem responsáveis por suas próprias decisões e pela coletividade, proporcionalmente.
O reflexo disso é tão sério que o apóstolo Paulo, em Filipenses 4.8, ensina que “tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento.” Queremos um país mais justo, respeitoso e com menos criminalidade? Cada integrante da sociedade, em sua individualidade, necessita se tornar melhor interiormente. Precisa aprender a buscar, sempre, a autenticidade dos eventos e a ser útil à sua comunidade.
Lembre-se! Segurança pública é dever do Estado, mas responsabilidade de todos.
Abraços a todos(as) e que Deus os(as) abençoe!
*Coronel PM RR Audilene Rosa de Paula Dias Rocha
