
Por Evaristo Eduardo de Miranda (*)
A decoração de Natal, nas residências dos cristãos, marca o período de preparação espiritual para a chegada do Menino Jesus. Enfeites e luzes marcam o tempo do Advento, iniciado quatro semanas antes do Natal (em 29/11/2020). E devem ser retirados no início do Ano Novo, entre a festa da Epifania e o dia dos Santos Reis.
São muitos os símbolos levados do campo para a cidade, para o interior das residências: a árvore de Natal, a coroa do advento, o presépio, as luzinhas e plantas em decorações variadas. Mas do lado de fora das casas, o principal símbolo é a guirlanda, colocada no batente da porta de entrada para abençoar quem por ali passar. E a guirlanda anuncia para o exterior, para quem passa fora da casa, que aquele lar está envolvido no espírito do Natal.
A guirlanda é o símbolo vegetal do entrelaçamento do divino com o humano, do Deus que se fez carne e habitou entre nós. Por isso, deve ser feita de dois ramos de plantas diferentes, de duas naturezas. Elas se procuravam no jardim do Senhor e agora, com o advento do Natal, estão entrelaçadas para sempre.
Na Europa, o mais comum é usar o pinheiro e o azevinho, ambos verdes durante o inverno. O azevinho é da família da erva mate, tem folhas coriáceas e apresenta uns frutinhos vermelhos e redondos que perduram durante o inverno. Aqui são galhos, bambus e cipós de outras espécies. O fundamental é entrelaçar duas espécies diferentes. E são muitas guirlandas, variadas e criativas. Uma história sem fim.
Sinos, fitas e enfeites completam a guirlanda. Três bolas coloridas evocam o mistério da trindade e são comuns em guirlandas. As fitas costumam ser de cor dourada, por vezes brancas e roxas. Tradicionalmente estão associadas aos presentes dos Reis Magos: ouro, incenso e mirra.
O formato da guirlanda é circular e evoca a letra Ó, aquela da Nossa Senhora do Ó. É durante o tempo do Advento, nas semanas finais que se cantam nas igrejas os polifônicos motetos do Ó, os “ohs!” de Nossa Senhora parturiente, prestes a dar à luz, a Luz. Esse ó é um Ó grande, um Ó Mega, o Ômega do alfabeto grego.
O círculo da guirlanda, sem começo, nem fim, também evoca o infinito. Através de Jesus, Deus habita entre nós para sempre. Da mesma forma, o amor dos cristãos a Deus e ao próximo não deve ter fim. E também não tem fim o círculo solar, que rege o calendário rural, a alternância infinita do semear, cuidar, colher e novamente semear, cuidar, colher e brincar pelos campos e jardins do Senhor. Esse círculo solar é o do tempo do solstício de verão para o hemisfério Sul, para honra e glória da fotossíntese. E cuja data (21/12) está associada a do Natal (23/12), sem coincidir pois aí já seria paganismo demais.
Informações mais detalhadas sobre os símbolos natalinos, solstício e outros no livro “Guia de Curiosidades Católicas – 500 usos, costumes, estranhezas, festanças, símbolos e tradições” de Evaristo Eduardo de Miranda (Editora Vozes, 2007)
(*) EVARISTO EDUARDO DE MIRANDA, cientista, PhD em Ecologia, autor de obras históricas e científicas.É diretor do Instituto Ciência e Fé de Curitiba; dirige a Embrapa Territorial, em Campinas, SP.
