
Antenor Demeterco Junior (*)
Benjamin Netanyahu no discurso que proferiu no 37º Congresso Sionista em 20.10.2015, mencionou um diálogo que teria havido entre Hitler e o Grão Mufti de Jerusalém Mhamed Said Hadj Amin elHusseini em novembro de 1941, no qual este último teria sugerido queimar os judeus para que não imigrassem para a Palestina.
O ditador alemão não necessitaria de qualquer sugestão do Mufti para realizar sua política exterminatória, que já havia sido iniciada em seu primeiro dia de governo e há muito tempo concebida: privações de toda ordem, negação de nacionalidade, incêndios de sinagogas tolerados, campos de concentração, leis infames, boicotes de lojas e câmaras de gás como culminância do processo.
Este personagem menor da história mundial foi líder dos árabes palestinos e sonhou com uma vitória alemã na guerra com o fito de expulsar os judeus da Palestina e os britânicos do Oriente Médio.
Duas divisões SS de muçulmanos iugoslavos foram formadas sob estímulos seus.
A atuação exterminatória dessa organização criminosa é por demais conhecida historicamente.
Sua intervenção junto ao chanceler nazista von Ribbentrop (1943) impediu a imigração e salvação de 4.000 crianças judias da Bulgária para a Palestina.
Estaria a par da “solução final” (cf. “Oh, Jerusalen”, p.64, de Dominique Lapierre e Larry Collins).
Os morticínios entre árabes e judeus no domingo de Páscoa de 1920 e de agosto de 1929 (mais de 100 judeus mortos) tiveram seu incentivo.
Em 1935 – 1936 voltou-se contra seus patrícios que falavam demasiado bem o inglês, resultado: mais de 2.000 árabes mortos.
Escapou do Tribunal de Nuremberg e do julgamento dos criminosos de guerra pois os ingleses não queriam provocar a cólera dos muçulmanos em suas colônias.
Arafat pertenceu à mesma família do Mufti.
O primeiro ministro israelense ao citá-lo em discurso ressuscitou-lhe o nome e uma triste memória para a causa Palestina.
* ANTENOR DEMETERCO JR é desembargador aposentado do TJPR
