por Antenor Demeterco Jr. (*)
Olavo de Carvalho concluiu, com base em fatos reais e isolados, que existe um conluio geral mundial (não secreto), uma ofensiva generalizada para a mutação radical das estruturas de poder, da sociedade, da educação, da moral, e até das reações mais íntimas da alma humana (as palavras são dele).
GOVERNO MUNDIAL

Estaríamos, assim, caminhando inexoravelmente para a implantação de um “governo mundial”, de uma “administração planetária”, de uma “autoridade global” (globalismo).
O filósofo não aceita que sua “denúncia irrefutável” seja rotulada pejorativamente como “teoria da conspiração”, rótulo neutralizante e desmoralizante sem maiores considerações.
Sua denúncia não seria referente a “uma trama secreta com objetivos pontuais” (cf. “O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota”, p. 337).
A denúncia de Olavo, queira ele ou não, é a de um conluio (para ele sem secretismos).
ATEUS, DARWINISTAS…
É interessante constatar que, anteriormente, acreditavam certos setores direitistas a partir do século XIX na existência de uma conspiração (esta secreta) envolvendo ateus, darwinistas, jesuítas, judeus, maçons, etc.
Este credo ingênuo (nascido na França de 1898 e divulgado na Rússia tzarista) teve consequências terríveis historicamente, resultando em perseguições e morticínios, em especial na 2ª Guerra Mundial.
IDEIAS OCULTISTAS
Parece que Olavo reciclou estas ideias ocultistas absolvendo alguns falsos protagonistas de ontem, criando outros (ONU, capitalistas, ex-comunistas, jornalistas de esquerda, a “elite globalista”, etc), tendo como objetivo final, também, a dominação mundial.
Vê entre as novas vítimas de um grande conluio o Estado de Israel e os Estados Unidos.
SISTEMAS & FUROS
O mérito, se é que há algum, é que este hipotético conluio não inclui a monomania do antissemitismo entre seus ingredientes.
Nenhum escritor ou filósofo merece credibilidade absoluta pelos sistemas herméticos que criam, pois estes todos apresentam furos.
Olavo é um crítico enérgico de conceitos e visões históricas assentes, e por isso merece ser lido.
Mas, no exame de hipotéticos conluios, secretos ou abertos, é mais recomendável examinar os fatos um a um, e não como um boneco Frankenstein que puxa e arrasta atrás de si toda uma transformação social, econômica e psicológica.
GRANDE PROBLEMA
Diante de um grande problema é melhor subdividi-lo em unidades menores, método sugerido pelo próprio Olavo com base em Aristóteles, Descartes e Leibniz, e mencionado no livro citado, p. 161.
O ROLAR DO MUNDO
Ação governamental que atua e endossa estas ideias entra em guerra com instituições como a ONU, a banca internacional (Bilderberg), grandes organizações da imprensa, com jornalistas esquerdistas, com professores e universidades, etc.
É impossível paralisar o rolar do mundo, mesmo que não se concorde com os termos deste rolar.
(*) ANTENOR DEMETERCO JUNIOR, advogado, desembargador aposentado do TJPR, especialista em História do Século 20.

