quarta-feira, 15 abril, 2026
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Opinião de Valor: Maria Marta Bernardi Reichmann

Por Eleidi Freire-Maia (*)

Dia 14 deste janeiro, Maria Martha se despediu dos que a amam e se encaminhou ao encontro do Amor Absoluto do Pai. Era viúva do bioquímico Edmundo Reichmann e foi mãe dedicada e amorosa de seus três filhos: Felipe, Guilherme e Maria Lúcia.

Antes de encontrá-la pessoalmente, conheci e admirei Maria Martha, pelo seu trabalho de artista plástica, divulgado nacional e internacionalmente. Foi há pouco mais de 15 anos, que nos tornamos amigas.

Nosso encontro aconteceu no mosteiro da Solitude, das monjas contemplativas do Sion, quando eu integrei o grupo de estudos teológicos, orientado por Madre Belém. Já faziam parte desse grupo, há alguns anos, Maria Martha, Yara Martins de Oliveira e Leonor Corrêa de Oliveira, que muito gentilmente concordaram com a minha participação.

Eu já tinha amizade com Leonor, mas minha amizade com Maria Martha e Yara começou nesse dia, que tenho anotado como 19 de outubro de 2000.

Por vários anos, recebemos ensinamentos preciosos semanais de Madre Belém, que faleceu em dezembro de 2011. Nós quatro, “as meninas” da Madre Belém, tivemos o privilégio de conviver com uma monja profundamente religiosa, alegre, generosa, talvez a pessoa de melhor saúde mental que eu conheci, e que sempre será nossa mãe espiritual.

Sou muito grata pela amizade, que cresceu e se fortaleceu entre nós cinco, nesses e em outros encontros, nos quais compartilhamos momentos importantes de nossas vidas.

Nesses 15 anos, vi aumentar minha admiração por Maria Martha, racional, de vontade firme, alegre, irônica e com uma grande doçura por trás da seriedade. Sabia aproveitar seus dias com boa literatura, leitura de textos teológicos, música erudita, balé clássico e cinema, nas horas em que não se dedicava ao desenho e à pintura, atividades que amava. Teve uma ligação forte com os sermões de Mestre Eckhardt, do século XIII, tendo relido várias vezes alguns deles, os quais a ajudaram a ser tornar mais íntima do Pai.

Enfrentou a doença e as sessões de quimioterapia com muita coragem.

Felizmente, houve períodos nos quais a doença lhe deu alguma trégua. No último semestre, percebeu que a luta era desigual e foi se preparando para o final com tranqüilidade e aceitação. Das visitas que lhe fiz, nesse período, guardo a lembrança de uma mulher de espírito forte, cada vez mais forte à medida que o corpo enfraquecia.

Maria Martha, você fará muita falta. Felizmente, as lembranças que ficaram de você continuarão vivas entre nós. E, qualquer dia, no futuro que se aproxima, dançaremos juntas como as bailarinas de Degas.

(*) ELEIDI FREIRE MAIA, professora emérita da UFPR (Dep.de Genética), diretora do Instituto Ciência e Fé de Curitiba.

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