
Por Antenor Demeterco Junior (*)
Um documentário recente revela que três irmãs do Príncipe Philip, marido da Rainha Elisabeth II, casaram-se com alemães, figuras de destaque no partido nazista.
O assunto é constrangedor para Philip, mas o fulcro do problema não está nas irmãs dele, mas sim na pessoa do Príncipe de Gales (1894-1972), depois Rei Eduardo VIII.
“O Príncipe, como consta em diários da época, de pessoas que o conheceram, “era muito a favor de Hitler”. É notável o modo como ele expressa sua simpatia pelos nazistas da Alemanha” (A Vida Secreta da Duquesa de Windsor, p.106-107, de Charles Higham).
A americana Emerald Cunard promovia festas em sua casa em Grosvenor Square, Londres, que era o centro de crescente influência nazista.
Esta mulher enredou Bessie Wallis Warfield (1896-1986), a então amante do príncipe e ainda casada com o segundo marido, em conexões nazistas.
Tratada com frieza pela boa sociedade, o príncipe forçava a sua entrada nos círculos que a admitiam.
Eduardo, com o fito de introduzi-la no círculo fascista alemão atuante na alta roda londrina, arranjou, inclusive, um grande jantar na embaixada alemã (ibidem, p. 119), a que compareceu o casal em alto estilo.
Em uma recepção para o diplomata nazi Joachim von Ribbentrop, este ficou fascinado por Wallis, e enviou-lhe rosas a granel, durante um ano inteiro.
Adolf Hitler investia na aristocracia britânica para ganhar a simpatia do país com sua política, e encontrou porta aberta junto ao casal.
O líder da União Fascista Britânica, Oswald Mosley, era muito relacionado com a dupla.
O ditador nazista recepcionou o casal na Alemanha em outubro de 1937, que participou de um jantar com Rudolf Hess e sua esposa em Munique.
Hess e os Windsors concordaram com a política de emigração em massa do povo judeu (ibidem p. 311).
A visita deu-se após a renúncia de Eduardo ao trono em 11 de dezembro de 1936.
Durante a guerra, as simpatias pelo nazismo levaram à transferência do duque para as Bahamas como governador.
Distante do conflito não causaria problemas.
Jantando em Washington em maio de 1945, mês em que se divulgavam quase diariamente os horrores dos campos de concentração nazistas, o duque demonstrou “uma alarmante insensibilidade com referência a tais crimes” (“O Grande Tolo”, p. 202, de John Parker).
O casal dirigiu-se, em seguida, para a Europa, mas não seria bem-vindo na Inglaterra.
A família real britânica, ao contrário, com o fim dos combates emergiu como heroica.
Eduardo VIII, com seus atos irresponsáveis anulou-se a si próprio, mas não conseguiu prejudicar o esforço de guerra britânico.
(*) ANTENOR DEMETERCO JR, desembargador aposentado do TJ/PR
