Antenor Demeterco Junior (*)

O Brasil foi surpreendido pelo incêndio do Museu Nacional, abrigado em prédio histórico de 200 anos, e contendo cerca de 20 milhões de peças.
Os responsáveis direta ou indiretamente pelo acervo foram escolhidos a dedo como integrantes da mesma faixa ideológica da tribo à esquerda.
É difícil dizer se o requisito capacidade foi considerado nessas escolhas.
Verdade que a turma não teve muito preparo na manutenção de um prédio antigo, pois enquanto tetos desmoronavam, interditavam salas, prestando uma eficiente tranquilidade para os cupins que habitavam o pedaço.
Burocratas omissos que não apenas aguardavam a verba para a reforma global das instalações, omitiam-se no dia a dia da manutenção.
Seus mestres de antanho, lá na extinta União Soviética, poderiam ter sido imitados: em defesa de certos acervos tinham eles mecanismos que retiravam o oxigênio dos ambientes após os expedientes diários (como exemplo merece citação o Arquivo do Estado Militar da Federação Russa).
Para a felicidade da irresponsabilidade, as punições de estilo soviético não são aceitas por aqui.
SEM CERTIFICADO
Sequer a omissa equipe obteve o certificado de regularidade do Corpo de Bombeiros para o objeto de sua “administração”.
Em 1933 um incêndio no Reichstag alemão transformou em cinzas a democracia no país.
O autor da façanha foi um infeliz adepto da ideologia comunista, para a felicidade dos nazistas, que, aproveitando da oportunidade, apertaram as garras de seu regime criminoso.
Incêndios não trazem bons fluídos.
O cenário político brasileiro é arenoso no momento eleitoral, e as chamas do passado foram seguidas pelo sangue nas mãos de indivíduos sinistros.
PASSADO DA NAÇÃO
Estes souberam aproveitar da ação de um maluco esfaqueador, que possivelmente ignora para quem prestou serviços (o que é comum em crimes políticos, quando tudo é compartimentalizado).
As chamas do Museu eliminaram parte do passado nacional, como ocorreu na Alemanha de 1933, e contribuíram para abrir as comportas para a insegurança eleitoral generalizada.
O Brasil colhe hoje os resultados dos desmandos políticos que a imprensa revela no dia a dia.
O nosso passado voltou à baila, pois uma chapa integrada por militares enfrenta entre outras a candidatura do filho do falecido presidente que foi expelido do cargo pelo contragolpe militar de 1964.
Vitoriosa ou não, a chapa demonstra que os vitoriosos de 1964 já não se constrangem em defender o que fizeram, pois contam com a simpatia de milhões de eleitores.
A História é sempre um campo aberto para novas interpretações.
(*) ANTENOR DEMETERCO JUNIOR, desembargador aposentado do TJ-PR, advogado, especialista em História do Século 20.
