domingo, 5 abril, 2026
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OPINIÃO DE VALOR: BIROCA

Biroca na Biblioteca Municipal de Presidente Bernardes, SP.

Por Nilson Monteiro (*)

Ele é conhecido por Biroca. Poucos sabem ou se lembram de seu verdadeiro nome, Ademir Pucci. Ele é um apaixonado por sua, que é a minha cidade, Presidente Bernardes (SP). Apaixonado por sua gente, independente de sua origem, credo, preferência clubística ou sexual. Apaixonado por cada pedaço do chão arenoso e quente da cidade que quase nunca colhe ventos.

Apaixonado por seu passado e pelos dias presentes. Apaixonado por tudo que tenha alguma relação com a nossa terra e sua gente.

Há mais de vinte anos, ele é atendente na Biblioteca Municipal, mesmo tendo saído cedo da escola. Seu credo o personifica e distingue: “Tenho muito carinho pelas crianças que retiram livros”. Sempre enfiado em meio aos livros, que o entusiasmam. Separando, classificando, recuperando e, especialmente, aproximando os livros dos leitores, estimulando o acesso às publicações. É um verdadeiro cidadão, um raro cidadão.

Filho de família simples, imigrantes italianos que vieram há décadas tornar o chão rural bernardense menos árido e mais fértil. Extremamente religioso, reza diariamente à Nossa Senhora Aparecida, frequenta missas e guia-se pelo som metálico dos sinos da igreja que tem o nome da santa mor do Brasil. Sempre foi elétrico. Como a maioria dos imigrantes da Itália ou seus filhos, torce fervorosamente para o Palmeiras. É doente pelo Palmeiras.

Biroca não só cuida com amor da Biblioteca, suas prateleiras e livros.

Não só programa visitas de estudantes às instalações da Biblioteca.

Criou uma página em rede social e registra tudo. Vive pra cima e pra baixo na cidade, facilitado por uma bicicleta e armado de uma máquina fotográfica, doadas por outros cidadãos. Fotografa famílias, prédios, telhados, ruas, instituições, entidades, eventos (artísticos, quase todos os religiosos etc.), patrimônios históricos abandonados, praças, pessoas etc. Faz tudo sem ligar para seu coração doente, que vive aos solavancos hospitalares.

Fotografa e escreve sobre tudo e todos, desde que sirvam como identidade de sua terra, da qual se orgulha como poucos. Registra, informa, reclama, propõe, comenta, assume, opina… É repórter do que acontece, com seu Português maltratado, carregado de escorregões, expressões mambembes, mas com uma boa vontade maior que o mar.

Junto ao Cristo
Em Aparecida
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