sexta-feira, 1 maio, 2026
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Opinião de Valor: Além do frio, São Joaquim amplia produção de vinhos

Neve em São Joaquim, SC

Por Fernando Scheller, O Estadão

Parta a maioria dos brasileiros é lembrada da existência de São Joaquim todos os anos, em junho ou julho, quando um repórter de TV aparece em frente a um relógio de rua, mostrando a temperatura negativa e anunciando a possibilidade de neve. O que a maioria ainda não sabe é que, há cerca de 20 anos, a cidade desenvolve outra vocação: a produção de vinhos. Hoje, são cerca de 35 vinícolas, que acabaram de ganhar um estímulo a mais: o selo de indicação geográfica, que classifica o produto de São Joaquim como “vinho de altitude”.

De acordo com Humberto Conti, presidente da Vinhos de Altitude Produtores Associados, o selo, concedido pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) no ano passado, reforça o trabalho que já vem sendo feito pelos produtores há alguns anos. É um trabalho que, segundo ele, exige uma boa dose de relacionamento com o poder público. Conti diz que, enfim, negociou com o governo do Estado o asfaltamento dos acessos a todas as vinícolas – muitas, até hoje, ainda têm acesso de terra batida.

Somadas, as vinícolas produzem cerca de 1,5 milhão de garrafas de vinho e espumante por ano – Conti, também produtor e dono da Villaggio Conti, admite que é pouco. “Somados, produzimos menos do que uma Salton”, diz o representante da entidade, que reúne 26 das 35 companhias do gênero em São Joaquim e região. Ele pondera que os vinhos vêm ganhando prêmios e fama entre quem entende da bebida. E, aos poucos, novos empreendedores apostam na produção em terras altas e frias.

RETOMADA

Uma das primeiras vinícolas a surgir em São Joaquim, ainda no fim dos anos 1990, foi a Quinta da Neve. Apesar do pioneirismo, não conseguiu atingir a fama de outra “fundadora”, a Villa Francioni, que produz sozinha 300 mil garrafas ao ano, além de ter boa estrutura de turismo, incluindo um restaurante famoso entre os visitantes. A Quinta da Neve, durante vários anos, ficou nas mãos da distribuidora Decanter, que não via o negócio como sua atividade principal. Depois de anos à venda, a vinícola ganhou novos sócios no ano passado, que têm grandes planos para o local.

Fernando Scheller (Foto: Leo Aversa)

A Quinta da Neve, hoje com capacidade de produzir 60 mil garrafas ao ano, foi arrematada por R$ 10 milhões por cinco sócios. Entre eles está o engenheiro Gerson de Borba Dias, que durante décadas se dedicou a abrir estradas na região Sul do País. Aficionado por vinhos, o executivo almeja, um dia, viver apenas da vinícola. Com uma produção relativamente pequena – e de custo mais alto, porque os vinhedos de altitude são menos produtivos -, ele sabe que precisa construir um complexo ao redor da vinícola para que o investimento seja lucrativo.

A Quinta da Neve, cujos vinhos partem de R$ 110 no varejo, demandou investimentos. Os últimos meses foram de retoques na vinícola e de mudanças no marketing e no design nos rótulos. Dias prepara projetos voltados ao enoturismo. Como as videiras só ocupam uma pequena parte dos 87 hectares de sua propriedade, ele já está desenvolvendo um projeto de condomínio de casas e de uma pousada para o local.

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