
Por Vinicius Sgarbe
Há três anos, nasceu o A.dot. É o primeiro aplicativo de adoção do Brasil. Idealizado pela jornalista Adriana Milczevsky, encontrou voluntários no Tribunal de Justiça do Estado do Paraná (TJPR), na agência de design BlaBlu e no Grupo de Apoio Adoção Consciente.
Se esta fosse uma notícia de jornal, faltaria papel para listar os nomes de quem colocou amor no projeto. Resumidamente, o A.dot é uma vitrine de perfis de crianças e adolescentes que estão em abrigos. São grupos de irmãos, pessoas com deficiência, pequenininhos que foram devolvidos, ou que simplesmente não se encaixam nos critérios definidos por candidatos a pais.
SEM SELFIES
O conteúdo tem curadoria. Não são selfies ou stories de buratta com rúcula. São, bem pelo contrário, histórias reais. Antes da pandemia, tínhamos por trabalho visitar os lares e gravar entrevistas, fotografar retratos. Desde o começo da praga, usamos materiais que chegam pelo WhatsApp. Quem edita os filmes é o jornalista Paulo Rosa. Ele, que tem a TV Globo e seis copas do mundo no currículo, recorta os clipes, escolhe a música e faz o “motion graphics” sobre olhos infantis, sobre bocas que frequentemente dizem: “eu quero uma família”. O acesso ao aplicativo é exclusivamente concedido a candidatos em dia com o processo de adoção. São 26 as famílias formadas por intermédio do aplicativo, sem contar pais que visualizaram os filhos no celular mas correram por fora, nas comarcas, e trouxeram a parte que faltava na casa deles.
EM OITO ESTADOS
Atualmente, são oito os estados que cadastram perfis: Acre, Bahia, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Paraná, Paraíba, São Paulo e Tocantins. De propósito, não vou colocar aqui alguns dados de realidade bem quentes, como o fato de termos recebido quase 40 mil pedidos de pais para entrar. Saiba mais pelo Instagram @adot.app.
No mês de aniversário, demos uns passinhos: o app está disponível para a comunidade internacional, em inglês. E também tem conexão com o Cadastro Nacional, para automatizar as autorizações. Eu não me lembro quando foi que ouvi falar pela primeira vez sobre o A.dot. Eu mais ou menos me lembro que eu estava no TJPR no dia do lançamento. E que o A.dot é uma causa pessoal, contra a aridez do mundo.
