Por Antenor Demeterco Junior

O povo armênio vivia em parte sob o domínio turco, e quando estourou a Grande Guerra de 1914 foi posto sob suspeita de colaboracionismo com os inimigos da Turquia.
Surgiram aí, as causas de suas maiores desgraças.
A Rússia adversária, sob governo do Tzar, tinha como política excitar o nacionalismo e o fervor religioso dos povos cristãos sob dominação otomana, visando com isso ganhar o coração dos armênios (cf. biografia de Kemal Ataturk, edição de 1939, p. 33, de J. G. Blanco Villalta).
Na localidade de Van, retomada pelos turcos dos russos em agosto de 1915, mais de 50 mil armênios foram sem piedade massacrados por vingança.
A grande “deportação” desse povo começou com o decreto de 24 de abril de 1915, do ministro da Guerra, um tal de Enver, que impôs a redução a menos de 10% dos armênios das áreas tidas com problemas.
A infame ordem de “realocação” de 30 de maio de 1915 cobriu seis províncias turcas (cf. “O Expresso Berlim-Bagdá”, p. 285, de Sean McMeekin).
Ninguém sabe exatamente o número de armênios mortos por “batalhões de extermínio”, ou em razão de ferimentos, de fome e sede, em 1915 e 1916.
As estimativas vão de 500 mil a 2 milhões, com a extinção do povo armênio da região de Anatólia (“ibidem”, p. 287).
A utilização de vagões de gado e de marchas forçadas preludiam as monstruosidades cometidas pelos nazistas na Segunda Guerra Mundial.
A Alemanha era então aliada da Turquia, e um dos seus oficiais, o tenente-coronel Böttrich, acrescentou sua assinatura a um comunicado referente às deportações, datado de 03 de outubro de 1915, o que, por óbvio, implicou em seu consentimento.
Comprometeu, assim, a honra do exército alemão no barbarismo turco.
As simpatias armênias pelos inimigos da Turquia, ou seja, pela chamada Entente (Inglaterra, França e Rússia), não justifica a guerra de extermínio sofrida.
Genocídio para uns, extermínio para outros, qualquer que seja a denominação que se dê aos acontecimentos, não há desculpas pela morte de centenas de milhares de seres desarmados.
E gregos também foram vítimas da mão pesada turca.
