quinta-feira, 16 julho, 2026
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REPERCUTINDO: “OPERAÇÃO PILOTO”- DEONILSON ROLDO É CONDENADO A 10 ANOS DE PRISÃO

Deonilson Roldo (foto: Jonathan Campos / Gazeta do Povo)

(Com informações da Gazeta do Povo e de O Antagonista)

O juiz federal substituto Paulo Sergio Ribeiro, da 23ª Vara de Curitiba, julgou parcialmente procedente as acusações feitas pelo Ministério Público Federal (MPF) em 2018 e condenou o ex-chefe de gabinete do ex-governador Beto Richa (PSDB), Deonilson Roldo, a uma pena de 10 anos e 5 meses de regime inicial fechado pela prática dos crimes de corrupção passiva e fraude à licitação, além de pagamento de multa. A sentença saiu nesta quarta-feira (22), sendo a primeira derivada da Operação Piloto, um dos escândalos de corrupção envolvendo a gestão Richa no governo do Paraná.

Já o empresário Jorge Atherino, amigo de Beto Richa, também foi condenado pela prática do crime de corrupção passiva. Atherino recebeu pena de 4 anos, 9 meses e 15 dias, para cumprimento em regime inicial semiaberto, além de pagamento de multa.

Ambos foram absolvidos das imputações do crime de lavagem de dinheiro.

Eles podem recorrer contra a sentença.

SOBRE O CASO

Beto Richa é réu em outra ação penal da Operação Piloto, e que ainda está em tramitação, mas nega qualquer ilicitude. Ainda foram condenados executivos e funcionários do Grupo Odebrecht, denunciados pelo MPF e que colaboraram o caso.

Durante o processo, Roldo alegou que a acusação era injusta e negou irregularidades. Já Atherino admitiu caixa 2 na campanha eleitoral de Beto Richa, mas negou relação com fraude na licitação da PR-323.

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UM EPIFENÔMENO NA DEMOCRACIA

Deonilson com Beto Richa
Deonilson ao centro, Marcelo Catani e Paulino Viapiana.

Deonilson Roldo é um autêntico epifenômeno da vida paranaense: chegou em Curitiba menino pobre, vindo de Pato Branco. Aqui fez universidade no começo dos 1980.

Com talento para reportagens, e uma razoável redação jornalística, logo colocou-se sob as asas de Mussa José Assis, o grande condutor do jornalismo paranaense no século 20.

Nunca fez – oficialmente, naqueles anos – outra coisa senão atividade jornalística, que, sabidamente, remunera mal. Era um pobre, enfim, em busca de “fazer a América”. No caso, Curitiba.

Depois, acabou entrando como redator da ALEP (emprego que não faz ninguém milionário).

ENVOLVER GENTE

Com grande capacidade de envolver pessoas do seu entorno – “uma característica dos ítalo-brasileiros que foram para o Oeste e Sudoeste do Paraná”, conforme observa um empresário de obras públicas aposentado -, Deonilson foi galgando posições. Cresceu com “segurança”, fazendo amigos, influenciando pessoas, criando redes de favores e apoios recíprocos.

Anos depois, tempos que eram de pleno domínio da mídia escrita, Deonilson ampliou tentáculos: passou a ser o chefe de reportagem da sucursal da Folha de Londrina em Curitiba. Foi período-alavanca de sua decisiva exposição nos meios políticos e em áreas empresariais. E ele o cultivou bem…

Nos anos 1990, reconhecido como jornalista que sabia investir em personagens-chave do Estado, já dono de apreciável leque de relacionamentos, acabou sendo secretário de Comunicação – uma posição poderosa – no Governo Jaime Lerner, no Palácio Iguaçu.

Autorizava R$ milhões por mês. Tinha suas preferências por certos veículos e, especialmente, para agências de publicidade, todo sabiam.

Antes passaria pela mesma posição na Prefeitura de Curitiba.

OS MOSQUETEIROS

Cedo Deonilson entendeu que teria de comandar (e sua sede de poder já não ficava oculta, pelo contrário) com o apoio de amigos jornalistas que o servissem de forma incondicional.

Assim, montou seu entourage com um jornalista recém chegado do RS, e três outros paranaenses. Um deles, acabaria sendo seu braço direito mais eficiente, o longa mano, na poderosa Copel. Outros dois – sobre os quais não há acusação de irregularidades flagradas, no uso da coisa pública -, fez sócios em empreendimentos pessoais.

DIVERSIONISMO

O ápice de Deonilson deu-se quando Richa fê-lo chefe de seu gabinete, por meses ocupando, ao mesmo tempo, a Secretaria de Comunicação do Estado.

Às vezes, num trabalho de inteligência, Deonilson fazia espalhar que estaria “brigado” com um dos componentes do trio.

Puro diversionismo: nunca romperam, pelo contrário, ampliaram mais e mais os laços que se solidificaram no governo Beto Richa.

NO PALACETE

Repentinamente bem de vida, instalou-se com a família numa soberba morada, na área do Parque Tinguí. Casa de milionário. Assim como milionário foi o investimento que fez num restaurante de boa qualidade – para classe AA -, no bairro do Ahu, sociedade oficial (???) com um dos seus 3 mosqueteiros.

SEDE DE PODER

Beto Richa deve ter errado nos seus governos, é o que indicam investigações do MP e da Polícia Federal. Mas eu sempre me indago sobre até que ponto tanta das acusações que pesam contra Beto não resultaram de ações que o “verdadeiro” governador, Deonilson Roldo, ia praticando sem encontrar contendores pela frente, numa sociedade em que legislativo e judiciário quase sempre evitam conflitos com o Executivo. Unem-se a ele, e reina a paz.

ÚLTIMA PALAVRA

Que Deonilson era o detentor da última palavra no Governo do Estado, todos sabem. Não se entende, no entanto, o porquê do Beto Richa, um tucano com alta plumagem e tido como reserva do PSDB, ter se entregue tão plenamente ao controle de Deonilson.

Há hipótese sobre essa entrega. Uma delas, a de que Deonilson “sabia demais” do dia a dia do governador e seus familiares. E por isso mesmo, deteria o “selo real”: nada saía do Palácio Iguaçu sem o aval ou a minuciosa anuência de Roldo.

Ele recebia quem lhe interessava, e só atendia telefonemas de que estava no seu “caderninho” de preferidos. Nada lhe interessava senão a perspectiva de poder.

R$ 40 MILHÕES

Poderoso, o ex-pobre jornalista de Pato Branco teria formado um patrimônio declarado – explica-me um advogado que conhece bem o processo na PF – de pelo menos R$ 40 milhões de reais. Isso sem contar a enorme fazenda em que o então governador de facto cria gado de raça em Pato Branco.

CONTRAPESOS

Alguém duvida que apenas estamos bordejando um epifenômeno do universo paranaense?

Não tenho dúvidas em afirmar que Roldo e sua ascensão social fazem um capítulo especial sobre as ‘vantagens’ de uma democracia sem freios e contrapesos.

Afinal, ele tem uma receita surpreendente de como sair do anonimato para uma vida milionária.

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A GRAVAÇÃO QUE ABRIU A OPERAÇÃO PILOTO E CONDENOU DEONILSON

site do Contra Ponto

Do Contra Ponto | 22 janeiro – 2020

Já era madrugada do dia 11 de maio de 2018 quando se descobriu a existência da gravação de uma conversa que Deonilson Roldo, então chefe de Gabinete do governador Beto Richa, tivera pouco antes do carnaval daquele ano com o executivo Pedro Rache, representante do grupo Bertin, interessado em participar da licitação da PR-323 – uma obra rodoviária de R$ 7 bilhões e que daria ao vencedor um contrato para pedagiar a estrada de 220 quilômetros por 30 anos.

Deonilson não sabia que Rache guardava no bolso um celular para gravar toda a conversa e nele ficaram registradas insinuações do influente assessor de Richa de que o governo já tinha firmado compromisso com a Odebrecht. Em troca para sair da concorrência, oferecia-lhe possíveis vantagens num negócio na Copel.

A gravação comprometedora foi parar nas mãos da Lava Jato, entregue pelo empresário Tony Garcia, que firmara acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal. E foi esta fita o estopim para que se descobrisse todo o resto e mais um pouco. E que culminou nesta quarta-feira (22) com a sentença da 23.ª Vara Federal de Deonilson Roldo e do operador Theodócio Atherino.

Siga o link abaixo e veja como o Contraponto registrou toda a história. Aproveite e ouça de novo a gravação: https://tinyurl.com/r8qb9ef

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