
(Do Jornal Expresso)
Passamos por mais uma semana difícil da pandemia em Curitiba:
- as mortes continuam em alta, com pico histórico de 42 óbitos por dia, em média;
- a ocupação de UTIs bateu os 102% na rede pública nesta segunda (22);
- as UPAs estão abarrotadas de pacientes com COVID;
- e mesmo a rede particular corre o risco de ficar sem anestésicos.
(O Expresso, Gazeta do Povo e Plural)
Espiando mais os dados da prefeitura de Curitiba, encontramos um mapa que mostra onde a mortalidade pelo coronavírus é mais acentuada desde o início da pandemia: A evolução dos óbitos por COVID em Curitiba: quanto mais vermelho, maior a concentração de mortes confirmadas pelo coronavírus.
As manchas em vermelho apontam para os seguintes lugares:
- Região do centro e arredores, onde há maior densidade populacional;
- Cabral;
- Bigorrilho;
- Cajuru;
- Boqueirão;
- CIC, em especial na Vila Nossa Senhora da Luz;
- Sítio Cercado.
É interessante que esses lugares não são necessariamente os bairros com maior incidência do vírus – como mostra nosso Monitor COVID-19 Curitiba.
Os campeões em número de casos, como já mostramos aqui, são Alto da XV, Batel, Caximba, Hauer e Capão Raso.
Por que, então, é em outros lugares que morre mais gente? Ao Expresso, o diretor do Centro de Epidemiologia da Prefeitura de Curitiba, Alcides Souto de Oliveira, disse, em suma, que:
- Alguns desses bairros, como Boqueirão e CIC, concentram grande população de idosos, que são mais suscetíveis ao vírus (ou, ao menos, à primeira cepa dele);
- O comportamento da população (leia-se, aglomerações e falta de cuidados como uso de máscaras) também é fundamental para explicar a mortalidade.
Recentemente, um grupo de pesquisadores de Curitiba, da plataforma Paraná contra a Covid, analisou a vulnerabilidade dos territórios da cidade, de acordo com a renda média, densidade populacional, percentual de idosos e condições de saneamento.
- Resultado? Algumas das áreas de maior vulnerabilidade (como CIC, Sítio Cercado e Cajuru) coincidem com a concentração de mortes.
Oliveira afirmou que o município tem trabalhado para diminuir a vulnerabilidade desses locais, direcionando recursos e pessoal para essas regiões.
Ele negou que tenha havido desassistência, apesar da difícil situação das UPAs.
(Bem Paraná)
