terça-feira, 10 fevereiro, 2026
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Olha o Drops, Mentex, Diamante Negro, bala de goma

Por Eloi Zanetti (contato: eloizanetti@gmail.com) – “Olha o Drops, Mentex, Diamante Negro, bala de goma”. Assim apregoavam os vendedores de balas, chocolates e pipocas nas filas dos cinemas no meu tempo de adolescente. Eles aproveitavam as enormes e animadas filas que se formavam, principalmente quando se apresentavam filmes de sucesso, para vender os seus produtos, esses, dispostos em uma espécie de tabuleiro suspenso por uma tira ao redor do pescoço. Nos cines Ópera, Avenida, Vitória e Luz as filas eram tão compridas que viravam as quadras vizinhas. Quem perdia uma sessão ficava para a segunda; os que chegavam antes se acomodavam nas amplas salas de espera e o bate-papo corria solto. Na inauguração do Cine São João (1960), uma novidade – as cadeiras e os bilhetes eram numerados. Com tempo podia-se escolher os melhores lugares.

Nos cines Curitiba e América, aos domingos, passava uma série de filmes em sequência pelo mesmo custo. Entrávamos por volta das 13 horas e saímos às 17. O programa era assim: antes um desenho animado, depois um short que era uma espécie de documentário, depois dois filmes, geralmente de faroeste ou de super-heróis e, antes de acabar a sessão o trailer do filme da próxima semana. Nas filas desses cinemas, os preferidos da piazada, uma ampla e agitada feira de troca de gibis e figurinhas que às vezes chegava a atrapalhar o parco movimento do trânsito curitibano da época.

Com o passar do tempo, o avanço das tecnologias, como as TVs, a reconstrução do centro urbano da cidade os cinemas, as produtoras e as distribuidoras foram se adaptando. Os cinemas perderam espaço, as salas ficaram menores e quase todos ligadas a um shopping; as distribuidoras passaram durante um bom tempo a usar a logística das vídeo-locadoras e, hoje, o streaming leva as novas produções quase que diretamente dos sets de filmagem até a nossa casa.

Filmes que levavam meses para chegar até nós, agora chegam instantaneamente. Sentado em um sofá com o controle remoto ou um celular na mão posso escolher entre uma infinidade de opções qual filme irei assistir e na hora que melhor me aprouver.

Sinto falta das ruidosas filas dos cinemas e mais falta ainda da saudosa bala Mentex que saiu de cena sem nos dar explicação.

Uma certa nostalgia toma conta da minha geração, mas o que fazer – mudam-se os tempos, mudam-se os costumes.

*Eloi Zanetti é escritor, especialista em marketing e comunicação corporativa. Contato: eloizanetti@gmail.com

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