Desde sexta, 2, o público do Museu Oscar Niemeyer (MON) poderá conferir a exposição “Na oração, que desaterra… a terra, – Em honra ao sagrado”, com curadoria de Agnaldo Farias. O título foi inspirado no poema Mortal Loucura, de Gregório de Matos (1636-1695).
São onze obras dos artistas: Arcângelo Ianelli, Daniel Senise, Domenico Serio Calabrone, Dudi Maia Rosa, Francisco Faria, Emanoel Araújo, Elizabeth Titton, Manoel Veiga, Masao Yamamoto, Tomie Ohtake e a tela “Nossa Senhora da Candelária”, final do século XVII – início do século XVIII, de autoria desconhecida, recém-doada por um patrono do Museu Oscar Niemeyer.
DEUSES E TROVÕES
O curador do Museu Oscar Niemeyer, Agnaldo Farias, que é também curador da mostra, analisa: “O peso das civilizações não eliminou o fascínio dos fenômenos elementares: as tempestades, o céu despedaçando-se em trovões e cordas d’água, o dia despedindo-se para a chegada da noite. E o leitor haverá de lembrar a primeira vez que viu o mar ou, antes disso, de suas infrutíferas tentativas de compreendê-lo”.
CONVOCAÇÃO AMPLA
Se por um lado é de todo louvável a exposição do MON em que o universo do sagrado – suas contradições, seus medos, suas esperanças – é exposto por grandes artistas, tenho dúvidas se a mostra sensibilizará quem deveria ser seu primeiro público: universitários de modo geral.
ALÉM DA ARTE
Muito além da exibição da produção de artistas do calibre de uma Tomie Ohtake, por exemplo, a coletiva deveria ser tomada como aula essencial por candidatos a títulos em Antropologia, Psicologia, Filosofia, Teologia, Historiadores e, naturalmente, alunos de Belas Artes.
QUEM “CURTE” ARTES?
Meu desalento antecipado tem razão de ser, baseia-se em como mostras anteriores, que ao longo dos anos, com esse mesmo sentido pedagógico, foram solenemente ignoradas por aqueles a quem mais deveriam interessar.
Em Curitiba, como no país todo, não se frequentam mostras de arte. As exceções são exposições de artistas com alto potencial de venda, atuais, ou daqueles já consagrados mundialmente.
BOGUSLAWSKI E DENISE
De qualquer forma, quero apenas lembrar: Poty Lazzarotto, Ennio Marques Ferreira, Lafaete Rocha (esculturas), Jan Boguslawski, Denise Roman são alguns dos artistas paranaenses que têm peças significativas, girando em torno dos mistérios da vida e da morte, de Deus e o diabo. Numa próxima mostra sobre o Sagrado, quem sabe estarão presentes.
