
Caro jornalista,
Há um aforismo, bem conhecido, que nos recomenda que não se deve criticar (ou falar) de um assunto sobre o qual não se consegue entender (d”ont criticize what you can”t understand”). Contudo, arrisco-me a ir mais a fundo nesse “affair” envolvendo um ministro do STF e o narcotraficante chefe do PCC, André do Rap. Valha-me Deus se eu errei feio. Contudo, aceito reparos.
Fui mais a fundo nesse assunto, viajei pelo túnel do tempo, e desembarquei em antes de Cristo.
O poeta retórico Juvenal nos deixou dito esta frase: “sed quis custodiet ipsos custodes”? Ou seja, quem há de vigiar os próprios vigilantes?
Essa frase vem de Sátiras, do poeta satírico da Roma antiga, e não cabe apenas a ditaduras opressivas, mas se alinha bem com certos episódios recentes da nossa democracia.
Juvenal expõe dúvidas a respeito da efetividade em se conceder o poder de vigilância sobre a sociedade a um único cidadão. Se apenas um é escolhido para vigiar todos os demais, quem, então, irá vigiá-lo”?
O filósofo e matemático grego, Platão, em “A República”, se envolve nessa questão e mostra sua preocupação a respeito de quem iria proteger a sociedade dos seus protetores. Para ele, a solução seria os guardiões resguardarem a sociedade contra si mesmos e para tanto era necessário convencê-los da “mentira carinhosa” de que, por se considerarem melhores do que os que serviam, lhes cabia a obrigação de resguardá-los.
A solução que nos remete a sabedoria de alguns séculos de antes de Cristo.
ZAIR SCHUSTER, jornalista
