
Leonor Demeterco Correa de Oliveira, 74, foi casada com um dos ícones da Universidade Federal do Paraná (UFPR), anos 1970/80, o civilista professor José Lamartine Correa de Oliveira Lira. Isso deve ter-lhe marcado muito em seus projetos culturais. Influência que pode ter sido acentuada pelos valores comuns que partilharam juntos, como namorados, noivos e casal.
O mais forte desses valores, acredito, foi a espiritualidade contida nos interesses pela Juventude Estudantil Católica (JEC) e JUC (Juventude Universitária Católica), de que foram militantes. E como consequência, o engajamento em uma linha libertária de pensamento cristão católico, contra o regime de exceção de 1964, mais fortaleceu os dois.
Leonor, moça bem nascida e criada à sombra de uma família tradicional (Demeterco) e pela influência do Colégio Sion, volta a mostrar seus talentos literários, lançando nesta terça-feira, 30, na Livraria Curitiba do Barigui, o livro “Era uma Vez”.
“ERA UMA VEZ” (3)
O título pode parecer piegas, como observa um amigo comum. Mas é só impressão, pois Leonor, uma alma doce e marcada pelas ciladas da vida que a todos podem atingir, é muito mais a escritora com alma de repórter: escreve bem, com olhar escrutinador do mundo ao seu redor, o imediato e o mediato. Isso sem deixar de expressar-se em ficção de qualidade.
“ERA UMA VEZ” (4)
Com esse olhar, ela vai contando, em crônicas e contos, da vida, dos seus amigos, da realidade do dia a dia, das grandezas, frustrações e limitações do ser humano.
Trata-se de um olhar absolutamente humano e previsível dessa mulher com alma de poeta, professora e mística, inseparável de amigas como Eleidi Freire-Maia e Maria Martha Reichmann (autora da capa do livro).
A Leonor que um dia frequentou o Mosteiro dos Beneditinos, rodovia para Paranaguá, e se pôs sob a direção espiritual do sábio Pière Filipe, sabe que o “Era uma Vez” pode ser parte de um testamento espiritual a que ela não pode se negar a fazer.

