quarta-feira, 6 maio, 2026
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O CASO VIRGÍNIA E A REPUTAÇÃO DO MP DO PARANÁ

Médica Virgínia Soares e marca do programa Fantástico
Médica Virgínia Soares e marca do programa Fantástico

O “Fantástico” da Rede Globo exibiu reportagem sobre o caso Virgínia.

Desde que a Justiça a absolveu do processo em que ela era acusada de abreviar a vida de pacientes na UTI do Hospital Evangélico, há duas semanas, o programa buscava entrevistá-la. Chegou depois da Folha de S. Paulo, mas certamente causou maior repercussão, dada a audiência da TV.

A FÓRMULA DO CHORO

O que se viu foi uma Virgínia bem vestida e chorando logo no primeiro segundo. Pronto. A fórmula é conhecida. Mas talvez represente a mais pura verdade. Quando chamado a se manifestar, o Ministério Público do Paraná, que fala em nome do estado ou do povo na ação contra a doutora, disse pouco. Talvez não tenha dito nada.

SEM NOMES

É de se espantar. Não se nomeie aqui procuradores e promotores, porque é regra também no MP que nada deve ser personalizado. O MP não cita acusado nem acusador. Ele aponta as instituições.

TESTEMUNHAS

O promotor, portanto, disse que há provas periciais que comprovam a culpabilidade da médica. Não disse mais. A Justiça ouviu 60 testemunhas.

Talvez tão titubeantes quanto o filho de uma suposta vítima entrevistado na reportagem.

AÇÕES BANAIS

O MP tem 700 procuradores e promotores sob suas asas. Todos soberbamente pagos, mas sem justificar aos olhos da população os seus altos salários.

Uma pesquisa rápida no site da instituição mostra que boa parte dos processos é referente à gestão pública. Prefeitos de cidades pequenas que não sabem lidar com o conceito básico de receita e despesa. Tão banal quanto dar nome a ruas.

ELEMENTAR

Quando se vê em um caso intrincado, no entanto, o MP dá a impressão de que escorrega no elementar. É o que se depreende da entrevista do promotor, no domingo (30).

AUXÍLIO MORADIA?

Não devia ser assim, mas é. Há três anos, o Ministério Publico engalfinhou-se em embate público ao reclamar o auxílio moradia pago aos desembargadores do Tribunal de Justiça do Paraná, com base na isonomia.

Valor: R$ 4,5 mil. Foi uma causa de fácil solução, mas de péssima repercussão.

PROGRAMA DO PMDB

Apesar da reclamada independência, o MP segue em sintonia com o governante. A mesura é livre e respeitosa. A submissão temerária. Não se decline aqui, mas houve um PGE (sigla para Procurador-Geral do Estado) que gravou participação no programa do PMDB, quando o PMDB era governo.

Lembram-se?

CONCURSO COM CELULAR

Mais recentemente, o MP promoveu um concurso para promotores substitutos em que se detectou o uso do celular por parte de fiscais, a maioria funcionários do órgão. O nome do grupo no WhatsApp foi revelado, o dia e a hora especificados, mas nada se fez. À época, a assessoria prometeu a esta coluna um comunicado do presidente da comissão de concursos, que é também o procurador-geral. Não houve comunicado. E outro concurso se anuncia.

LEGAL. SERÁ MORAL?

À espreita, ou perscrutando uma oportunidade, trabalha-se para ampliar o quadro de funcionários efetivos do MP com artifícios que podem ser legais, mas seriam morais? É o caso de medidas que renovam o prazo de validade de concursos e que ampliam o número de aprovados previsto inicialmente em edital.

CALA-TE, JORNAL

Em reportagem publicada no ano passado, a Gazeta do Povo estampou os vencimentos de juízes, procuradores e promotores em manchete. Os dados estavam disponíveis em sites oficiais e só foram coligidos. Ainda assim, a Associação do Ministério Público do Paraná (e também a dos juízes) achou por bem processar os jornalistas responsáveis pela reportagem. Dá a impressão de que há algo a esconder. Isso é preocupante.

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