Darcy Ribeiro: defensor dos missionários americanos
“Novas Tribos” entre os índiosIND DOURADOS 01/06/2006 Aldeia do Passo Piraju da tribo Caiowa-Guarani em Dourados Mato Grosso do Sul FOTO PAULO PINTO/AE
Todo mundo está criticando o Governo por ter nomeado um pastor, Ricardo Lopes Dias, ex-missionário evangélico que atuou entre índios em Jarí (AM), para uma posição normalmente reservada a indigenistas: o atuar com povos indígenas isolados.
Ele é antropólogo com pós.
E mais: é criticado por ter se vinculado, no passado, ao movimento evangélico americano Novas Tribos, muito controvertido, mas pouco conhecido.
Até por me considerar um estudioso do fenômeno religioso, um valor cultural inestimável na história da Humanidade, acho que o grupo Novas Tribos merece um olhar cuidadoso, pois desempenhou no Brasil um papel cultural valioso. Deve-se ao “New Tribes”, comandado por missionários americanos, anos 60 a 80 do século passado, um amplo trabalho de linguística, fazendo especialmente a tradução de textos do Novo Testamento para as línguas nativas de diversos povos amazônicos.
Independente do cunho religioso, o trabalho é importante, desvenda e sistematiza línguas ancestrais que, de outra forma, iriam se perder.
DARCY RIBEIRO
Darcy Ribeiro: defensor dos missionários americanos
A UNICAMP publicou no anos 1990 livros sobre o assunto Novas Tribos.
Esse movimento, esclareço, foi banido do Brasil no final dos 1980 pelo governo Figueiredo, que o acusou de espionagem na Amazônia, sem provas.
E me lembro bem: nos 1993, entrevistei em Curitiba o antropólogo Darcy Ribeiro, que a mim defendeu de unhas e dentes o Novas Tribos, que sempre esteve no universo de sua apreciação positiva, segundo me afiançou o político brizolista.
Missionário Ricardo Lopes Dias indicado para atuar com povos indígenas isolados