segunda-feira, 5 outubro, 2026
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Nova geração de idosos desafia ideia de envelhecimento

Assessoria – Aos 70 anos, fazer musculação. Aos 75, pedalar. Aos 80, continuar caminhando, viajando ou praticando o esporte que acompanha uma vida inteira. A imagem da velhice associada necessariamente à limitação física já não corresponde à realidade de uma parcela crescente da população que chega às idades mais avançadas com disposição para permanecer ativa.

Ao mesmo tempo, existe outro cenário que não pode ser ignorado. Pessoas da mesma idade podem apresentar perda de força, dificuldade para caminhar, fragilidade óssea e maior risco de quedas. Para a ortopedia, essas duas realidades mostram por que falar sobre envelhecimento exige olhar menos para o número registrado na carteira de identidade e mais para a capacidade funcional de cada pessoa.

No Brasil, esse novo olhar sobre o envelhecimento acompanha uma transformação demográfica cada vez mais evidente. A população com 60 anos ou mais chegou a 34,1 milhões de pessoas em 2024, ante 22 milhões em 2012, segundo o IBGE. No mesmo ano, a expectativa de vida dos brasileiros alcançou 76,6 anos. Os números ajudam a dimensionar uma realidade que já aparece nos consultórios: além de viver mais, parte dessa população chega às idades mais avançadas com novos objetivos, investindo na saúde, mantendo uma rotina ativa e buscando preservar mobilidade, independência e qualidade de vida.

Para o presidente da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia da Regional Paraná (SBOT-PR), Dr. Thiago S. Busato, os consultórios já ajudam a revelar essa transformação. “Hoje recebemos pacientes com 70, 80 anos ou mais que fazem musculação, correm, pedalam, caminham, jogam basquete e têm uma rotina extremamente ativa. São pessoas que investiram e continuam investindo na própria saúde e não chegam ao consultório dispostas a abrir mão dessa vida. Muitas procuram tratamento justamente porque querem continuar fazendo aquilo que gostam.”

O olhar coincide com uma mudança importante no próprio conceito de envelhecimento saudável. Para a Organização Mundial da Saúde, o foco não está apenas na presença ou ausência de doenças, mas na capacidade funcional, relacionada à possibilidade de a pessoa continuar fazendo aquilo que considera importante para sua vida. A OMS reconhece ainda que pessoas idosas da mesma idade podem apresentar níveis muito diferentes de capacidade física e mental.

Mais anos, mas também mais vida nos anos

A mudança é particularmente importante para a ortopedia. Se antes uma cirurgia ou outro tratamento em idade avançada podia ser pensado principalmente a partir das necessidades básicas de locomoção, hoje é cada vez mais necessário conhecer a rotina e os objetivos daquele paciente. Para alguém que pratica esporte, por exemplo, voltar a caminhar dentro de casa pode não representar o resultado funcional que espera. Outro paciente da mesma idade pode ter como principal objetivo conseguir novamente levantar sozinho, caminhar com segurança ou realizar atividades cotidianas sem depender de terceiros.

“Não existe um paciente padrão aos 70 ou aos 80 anos. Temos pessoas muito ativas e outras bastante frágeis na mesma faixa etária. A idade continua sendo uma informação importante, mas precisamos considerar condição física, doenças associadas, mobilidade, saúde óssea e, principalmente, o que aquela pessoa precisa e deseja recuperar”, explica Busato.

Nesse novo cenário, manter-se fisicamente ativo tem papel importante. O Ministério da Saúde aponta que a atividade física regular contribui para preservar autonomia e independência, melhorar equilíbrio e postura, proteger ossos e articulações e reduzir o risco de quedas. A orientação é que as atividades sejam adequadas às condições individuais.

Para Busato, o movimento precisa ser entendido também como investimento para os anos que virão. “Nós estamos vivendo mais, mas a grande questão é como queremos viver esses anos adicionais. Manter força, mobilidade e equilíbrio ajuda a preservar independência e qualidade de vida. É uma construção que começa antes da velhice e que pode continuar mesmo em idades mais avançadas.”

SBOT-PR

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