terça-feira, 5 maio, 2026
HomeMemorialNos 160 anos da Biblioteca Pública do Paraná, um desafio se impõe

Nos 160 anos da Biblioteca Pública do Paraná, um desafio se impõe

Biblioteca Pública do Paraná
Biblioteca Pública do Paraná

A Biblioteca Pública do Paraná completa 160 anos. Longa vida à biblioteca. Com os níveis rasos de leitura no país e a aversão ao textão – ou seja, nada que ultrapasse 500 caracteres – é mesmo um desafio atrair o interesse de leitores e estudantes, estes que, no mais das vezes, cumprem ali apenas o rigor da tarefa dada.

APAIXONADO POR LIVROS

Leio que Ruy Castro é um dos convidados nas comemorações. Nada mais apropriado. O biógrafo, jornalista e escritor é um apaixonado por livros. Tem pelos menos oito mil em seu bunker, no Rio. Aos sábados costuma percorrer os sebos e quando encontra uma preciosidade em mau estado, trata de levá-la para casa e “curá-la” com pincel, cola e fita durex.

ENCICLOPÉDICO

Ruy Castro é uma espécie de jornalista em extinção. Um cronista de seu tempo. Tachado maldosamente de jornalista de gabinete porque compilava informações sobre certo filme, livro ou compositor e as depurava em estilo enciclopédico, foi arranjar coisa melhor para fazer, quando a ditadura dos releases se impôs nas redações. São dele as biografias de Nelson Rodrigues, de Garrincha, de Carmem Miranda, e da bossa-nova, protagonizada por João Gilberto.

UMA VELA PARA DARIO

Jornalista Ruy Castro
Jornalista Ruy Castro

Ruy Castro é um apaixonado por Dalton Trevisan, como deveria ser o universo inteiro, de Curitiba a Marte. Conheceu o escritor ao topar com o estilo, as elipses e o humor fino do conto “Uma Vela para Dario”. E dele nunca mais largou

ARQUIVO PRECIOSO

Se puder percorrer a seção de periódicos da Biblioteca, Castro terá o prazer de encontrar muitas de suas matérias de página inteira nas edições da Folha e de O Estado de S. Paulo, cuidadosamente arquivadas.

DIGITALIZAÇÃO

O próximo projeto da BPP agora é digitalizar as obras, um trabalho hercúleo, que demanda tempo, mas que pode resultar em um aumento significativo de acessos e de leitura.

LIVROS RAROS

Se há uma pergunta que fica no ar é o que foi feito dos livros raros (e caros) surrupiados da seção destinada a eles, em 2006, com um prejuízo calculado em R$ 500 mil. Nunca foram encontrados e, se não lhes conhece o destino, certamente foram parar nas mãos de um colecionador. É a nota triste em um dia de festa.

Leia Também

Leia Também