segunda-feira, 23 fevereiro, 2026
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Nomeação de Paulino: um “troco” à Família Ratinho?

Carlos Roberto Massa, o Ratinho, Paulino Viapiana; Amácio Mazzaropi
Carlos Roberto Massa, o Ratinho, Paulino Viapiana; Amácio Mazzaropi

A nomeação do jornalista Paulino Viapiana, ex-secretário de Cultura, para a Secretaria de Comunicação Social do Estado do Paraná, vaga desde a saída de Marcello Cattani, comporta algumas leituras.

A mais imediata delas é que Viapiana assume o cargo fortalecido pela consideração que o governador Beto Richa sempre votou-lhe, assim como a Deonilson Roldo e a Marcello Cattani, como parte do fiel trio de jornalistas que o apoiou desde o começo de sua vida política.

Cattani, é verdade, hoje está afastado do círculo íntimo palaciano.

Observe-se, para bem entender o quadro: Deonilson – goste-se ou não dele – é reconhecido como o “primum inter pares” do grupo, aquele que detém maior acústica e poder junto a Beto Richa. E Viapiana é seu aliado incondicional. Formam uma parceria sem discórdia, especialmente porque Viapiana acata, “in totum”, as orientações de Roldo. E os dois têm uma história de ligações fortes, a começar pelas raízes comuns (o Grande do Sul), de onde são originários. Um de Antonio Prado, outro, de Marcelino Ramos.

2 – GANHOU DE RATINHO

A outra leitura que a escolha de Viapiana encerra é a de que Paulino suplantou plenamente o veto de que fora objeto por parte do apresentador Ratinho, pai de Ratinho Junior, que largara um anátema contra o então secretário de Cultura. Lembram-se o motivo e a circunstância do veto?

Pois o que se sabe é que Ratinho, poderoso e a verdadeira fonte de poder que se esconde por trás do filho, opôs-se frontalmente à designação de Viapiana para a Comunicação Social, tão logo a Secretaria ficou vaga com a saída de Cattani.

Apoiador incondicional de Cattani (foi um bom secretário, registre-se), Ratinho ameaçou o governo de romper com ele, caso a escolha de Viapiana fosse consumada, na linha do que se insinuava na ocasião.

Richa recuou. Só aparentemente, como se vê agora. O porque precisava de tempo de assestar novas armas contra tais pretensões.

3 – MAZZAROPI

O que estaria por detrás do veto de Ratinho, o apresentador?

O que se diz é que, dono dos direitos de apresentação dos filmes de Mazzaropi, acervo financeiramente milionário, teria “incansavelmente” tentado vender apresentações das películas do ‘Jeca Tatu’ para exibição em cinemas do Governo do Estado e emissora de televisão educativa. No entanto, ganhou um solene “não” de Viapiana, que não considerou as películas importantes do ponto de vista cultural. O que, na minha opinião, foi equívoco, pois o caipira Mazzaropi retrata parte da alma nacional na sua simplicidade, ingenuidade e manifestações ímpares.

4 – ALÉM DOS LIMITES

De qualquer forma, Ratinho, o pai, teria passado dos limites ao impor vetos ao governador do Estado, a quem, exclusivamente, compete a escolha de seus auxiliares.

E mais que isso: Ratinho teria sustentado seu veto a Paulino baseado numa realidade muito eloquente: o PSC de Ratinho Junior elegeu uma enorme bancada, 12 deputados, à Assembleia Legislativa. E assim, ficava implícita a possibilidade de ruptura do partido com o governo, caso o líder (ou seu mentor e pai) fosse contrariado.

Richa e Viapiana não esperaram em vão para ter a prova dos nove: no episódio das votações na AL, das questões do Paraná Previdência, funcionalismo e professores, Ratinho Jr. e sua fiel bancada ficaram contra os projetos do Governo.

O resultado está aí: Paulino Viapiana, com um portfólio de trabalhos jornalísticos importantes (passou pela Folha de São Paulo, e depois pelo Jornal Indústria e Comércio, escolha em que Odone Martins muito apostou), é o novo secretário de Comunicação Social do Paraná.

Só ele, Paulino – a partir de sua futura performance – poderá dizer se a vitória sobre Ratinho foi prêmio ou castigo?

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