quarta-feira, 18 fevereiro, 2026
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No velho “Lorde” nascerá hotel para terceira idade

Antigo hotel Eduardo VII
Antigo hotel Eduardo VII

Se a lerdeza da justiça, que tantos males causa ao país, não se perpetuar, pode ser que ainda este ano o empresário e engenheiro Luiz Antunes, de tradicional família da terra, consiga ter uma decisão do TJ do Paraná sobre a pendência judicial que o impede de prestar um grande serviço à comunidade: criar um hotel para idosos em pleno Centro de Curitiba, acessível à classe média e com 180 apartamentos, além de dois andares, amplos, de área comum para lazer dos futuros hóspedes.

Antunes enfrenta os meandros da justiça com as aberturas legais que ajudam as partes a procrastinar decisões, há 10 anos.

Há um decênio ele demanda contra o grupo Aoky que, tendo se comprometido ser seu parceiro na compra do edifício (pertencente aos descendentes de Miguel Kalluf) não viu cumprido o contrato. Apenas uma parte dos R$ milhões acordados foram pagos pelo grupo hoteleiro paulistano/japonês.

Há muitas vantagens em se ter um hotel de idosos da área Central. A maior delas, a facilidade de acesso que o local dará aos hóspedes, além de ambulatório, apartamentos de qualidade, áreas amplas de lazer.

Outro empreendimento de qualidade – mas para idosos com folga financeira – existe em Piraquara, propriedade do médico e empresário Enzo Lorenzetti.

Lá as mensalidades custam R$ 8 mil; o empreendimento de Antunes, a preços de hoje, deverá cobrar R$ 3,5 mil mensais.

A seguir, um pouco de memória do espaço construído por Miguel Kalluf:

1 – SEU MIGUEL, IMIGRANTE

A memória curitibana guarda, de forma indelével, o papel que Miguel Caluf (ou Kaluff, também assim grafado) exerceu na vida da cidade.

O imigrante libanês cristão aqui chegou, nos anos 20 do século 20, como chegavam milhares de outros patrícios seus, em busca do Brasil Eldorado: com uma mão na frente, outra atrás. E ‘acossados’ por incontrolável vontade de conquistar seu espaço, de “fazer a América”.

A vida de Caluf poderia dar um filme, ou um romance, por ser ilustrativa de como se materializavam sonhos numa Curitiba em que tudo havia por fazer. E onde acabou conquistando o coração de uma filha de italianos, dona Metila, uma mulher muito bonita. E com ela formando uma linhagem em que se sobressaíram padre Emir (controvertido, intelectual contestador até da Igreja) e Munir, que se notabilizou como técnico de futebol, com ações especialmente no Japão.

2 – DE ACORDO COM O FIGURINO

O ex-mascate, e depois vendedor de frutas, cumpriu rigorosamente com o figurino que se esperava de um imigrante árabe cristão: como resultado de anos de trabalho intenso, gerou uma fortuna, hoje em mãos de seus netos e herdeiros.

Uma das obras mais significativas de Miguel Caluf foi o Hotel, na esquina da Rua Marechal Floriano com Praça Tiradentes, um arranha-céu, arquitetura de gosto duvidoso, em 20 andares. E com algumas falhas básicas, comuns num tempo em que não se projetava com nitidez o destino do Brasil e o assustador avanço das cidades verticais: não tem garagem.

3 – SEU NOME ERA “LORD”

O hotel nasceu com o nome de “Lord”, no começo dos 1950, poucos anos depois quando um de seus filhos – Emir Caluf – seria ordenado sacerdote católico na Companhia de Jesus (jesuítas). Dizem que para muito desgosto de seu Miguel, que o queria à frente de empreendimentos da família.

Além do hotel, os Caluf já tinham, já nos anos 1950, a casa comercial, ponto da elegância feminina de Curitiba, o “Louvre”, instalada num espaço de interiores magníficos, prevalecendo o ‘art nouveau”. Pelo menos, algo de ‘art nouveau’.

4 – O REI DAS SEDAS…

“Louvre” era o “rei das sedas”. E isso bastava, num tempo em que toda mulher que se prezasse tinha modista; uma costureira, aquela que, com boa técnica aprendida nas muitas escolas de corte costura existentes, mantinha-se atualizada com os ‘figurinos’ da moda, mostrados em revistas como “Burda”.

As vendas ali eram em metros. A indústria de confecção engatinhava apenas.

O hotel chegou a ter quatro estrelas, mas foi mudando de mãos, com o passar dos anos, e com a morte de Miguel. Num certo tempo, chamou-se Hotel Eduardo VII, gerido por um grupo português.

No momento está fechado. Os velhos elevadores (3), que Miguel foi comprar em Nova York movimentam-se ocasionalmente. Para manutenção.

De lá é que o novo dono do edifício, Luiz Antunes, engenheiro, empresário, quer transformar em hotel para idosos.

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