
Marcus Vinicius Braga Alves, professor universitário nos Estados Unidos e neto de Ney Braga (é filho de Silvia Braga e Oscar Alves), envia a seguinte nota de esclarecimento sobre referência feita a Ney neste espaço no dia 14, terça. E anexa matéria de “Veja” sobre momento da vida política de Ney:
Prezado Aroldo,
Quanto à afirmação em um artigo seu de que “Ney [Braga] era muito forte nos ‘anos de chumbo’, o período ditatorial militar”, acho importante prestar o seguinte esclarecimento. Ney nunca escondeu a sua participação no regime militar. Ele foi ministro de Castello Branco, que queria eleições diretas após seu mandato, e de Geisel, que iniciou o processo de abertura política. Mas Ney não apoiou os governos militares em todos os seus momentos. Ney foi contra a cassação do deputado Márcio Moreira Alves (MDB) e contra a edição do Ato Institucional Número 5 (AI-5), por exemplo. Por isso, foi quase cassado pelos presidentes Costa e Silva e Emílio Médici.
DIA DO AI-5
Em 6 de dezembro de 2010, o artigo intitulado “13 de dezembro de 1968 – O dia do AI-5” descrevia no website da revista Época a movimentação do deputado Raphael de Almeida Magalhães logo após ele ter liderado o grupo da Arena que votou contra a licença para que Márcio Moreira Alves fosse processado. Naquele dia, Raphael embarcou para Brasília acompanhado de Daniel Krieger, Teotônio Vilela e Ney Braga. Em 20 de julho de 1977, a revista Veja publicou a matéria “Contas ajustadas” sobre a briga política entre Jayme Canet Júnior e Affonso Camargo Neto, definidos como “neystas”, e Paulo Pimentel, que contou à Veja como evitou que Ney Braga fosse cassado por Costa e Silva. E em 6 de agosto de 2014, o artigo “Dilma Rousseff, mulher de sorte” contava no website do jornal O Globo como Ney Braga, Daniel Krieger e Teotônio Vilela, entre outros, quase foram cassados por Emílio Médici.
ANOS DE CHUMBO
Historicamente, o termo “anos de chumbo” é comumente empregado para designar o período entre a edição do AI-5 e o final do governo Médici.
Como deixei comprovado aqui, a participação política de Ney Braga naqueles anos dificilmente o colocou como um homem forte junto ao regime militar. Cópias dos artigos citados seguem anexas a esse e-mail.
Cordialmente,
MARCUS VINICIUS BRAGA ALVES
Professor da Universidade de Akron, Estados Unidos
PS.: LEIA, SÃO FATOS HISTÓRICOS – “VEJA” 20 de Julho de 1977:
