
Irreverente, inteligente, oportuno, incaridoso, eis como se podem classificar os verbetes do “Livro Vermelho” de Nêgo Pessoa, mais uma mostra do bom escritor Carlos Alberto Pessoa, o ‘Nêgo’.
A preciosidade terá lançamento nesta quinta-feira, 19, às 19 horas, na sede da OABPR.
Numa prova de que o ‘Nêgo’ não é apenas um olhar crítico e muitas vezes mal-humorado sobre o que se passa na vida – e além dela – ele destinará a venda do livro ao Lar Bom Caminho, a obra social irrepetível criada por Julio Gomel. E com dedicatória a dois marcos da melhor memória afetiva do autor: sua mãe, a santa dona Matilde Anciutti Pessoa, merecedora da glória dos altares, e a sua tia Mariquinha Anciutti, uma raríssima alma franciscana que, em vida, entregou seu patrimônio (era rica) para obras sociais e foi viver num quarto simples, numa casa religiosa católica, em Irati, de onde o jornalista e as duas são originários.
PINÇANDO VERBETES

O livro tem capa vermelha, é claro.
São 426 páginas, uma edição primorosa, irrepreensível.
Pode-se pinçar qualquer letra do alfabeto, de A a Z, que não haverá surpresa: ‘Nêgo’ Pessoa está cada vez melhor. Querem um exemplo?
Na letra ‘L’, o verbete assinala:
“Legião de Honra: lembra quando o então ministro da Cultura, cantor & compositor comercial Gilberto Gil, ganhou a medalha da “Legião de Honra” Alguém suspirou:
– Pobre França! Pobre “legião de honra”. Que nunca mais foi a mesma desde o dia em que em que alguém a recusou, o que foi acompanhado do comentário:
– Não basta recusá-la; é necessário não a merecer”.
Bons tempos! Em que a ‘distinção’ não estava banalizada a ponto de ser recusada e ao ponto de ser entregue a Gil! Que fala lazaronês a sério.
E depois os franceses querem ser respeitados pelos americanos…
