O pontapé inicial para a orientação do uso da hidroxicloroquina no tratamento de pacientes infectados pelo coronavírus, as falhas na compra de equipamentos de proteção individual, respiradores e testes RT-PCR para a detecção da doença e a pressão política do Planalto sobre o Ministério da Saúde: o roteiro das primeiras inquirições da CPI da Covid é extenso, minucioso e repleto de armadilhas .
A rodada de depoimentos começa nesta terça-feira, 4, às 10 horas, e será inaugurada por Luiz Henrique Mandetta, primeiro ministro da Saúde do governo. Ao fim da oitiva dele, a previsão é de que seu sucessor Nelson Teich preste esclarecimentos. Os questionamentos poderão se estender somente até as 16 horas, quando terá início a sessão deliberativa do Senado sobre vetos presidenciais.
2 – Congresso quer derrubar veto sobre vacinas.
Líderes partidários no Congresso discutirão na manhã desta terça-feira, 4, a possibilidade de derrubar o veto de Jair Bolsonaro a uma lei votada em fevereiro que trata da aprovação de vacinas.
O trecho, vetado pelo presidente a pedido de Antonio Barra Torres, diretor-presidente da Anvisa, dá à agência prazo de cinco dias para autorizar o uso de vacinas já aprovadas por autoridades estrangeiras, caso da Sputnik V, que foi rejeitada na semana passada.
O artigo excluído por Bolsonaro havia sido inserido pelos parlamentares em uma medida provisória editada pelo Planalto para confirmar a adesão do Brasil ao consórcio Covax Facility, liderado pela OMS. A articulação para incluir o texto na MP foi conduzida por Ricardo Barros, líder do governo na Câmara, em conjunto com deputados do PT.
O texto diz que “a Anvisa concederá autorização temporária de uso emergencial para a importação, a distribuição e o uso de qualquer vacina contra a Covid-19 pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal e pelos Municípios, em até cinco dias após a submissão do pedido, dispensada a autorização de qualquer outro órgão da administração pública direta ou indireta, desde que pelo menos uma das seguintes autoridades sanitárias estrangeiras tenha aprovado a vacina e autorizado sua utilização”.

3 – O encontro entre Bolsonaro e Sarney.
“Meus parabéns, presidente”.
Foi com essa saudação que Jair Bolsonaro entabulou a conversa com José Sarney, realizada na terça-feira, 27, na residência do ex-presidente em Brasília. No sábado, 24, o cacique do MDB havia completado 91 anos e esse foi o principal “gancho” do encontro, segundo interlocutores de Sarney.
Considerada o mais importante gesto de aproximação com o MDB, partido do relator da CPI da Covid, Renan Calheiros, a conversa, de acordo com pessoas próximas a Sarney, foi mais “panorâmica” do que “específica”. Em nenhum momento, por exemplo, a palavra CPI foi mencionada, segundo essas mesmas vozes.
4 – A próxima ofensiva bolsonarista
A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, presidida por Bia Kicis, quer votar nesta terça-feira, 4, um projeto que altera a Lei do Impeachment, de 1950, para acrescentar um novo crime de responsabilidade para ministros do Supremo Tribunal Federal: “usurpar competência do Congresso Nacional”.
O movimento é encabeçado por parlamentares bolsonaristas, como a deputada Chris Tonietto (foto), do PSL do Rio de Janeiro, escolhida como relatora da matéria.
Ela apresentou parecer na sexta-feira, 30, a dois projetos: um do deputado fluminense Sóstenes Cavalcante, do DEM, da bancada evangélica, e outro da própria Bia Kicis.
(Revista Crusoé)
