Nos bastidores da política paranaense, o governador Ratinho Junior (PSD) começa a enxergar com mais nitidez quem, de fato, veste a camisa — e quem apenas a utiliza conforme a conveniência. A recente debandada rumo ao PL de Sergio Moro escancarou uma realidade antiga: há os leais… E há os interessados. Enquanto alguns trocam de lado ao sabor do vento eleitoral, outros permanecem onde sempre estiveram.
Nesse cenário, o presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi, segue firme ao lado do Governo, consolidando-se — cada vez mais — como a única via possível para uma disputa minimamente honrosa pelo Palácio Iguaçu. A política tem dessas: em tempos de calmaria, todos são aliados. É na movimentação que se revela quem realmente é.
Em entrevistas nesta terça (7) às rádios Banda B e CBN, Curi reafirmou que sua candidatura ao Governo do Estado está consolidada e que não há espaço para recuo no projeto político que vem construindo nos últimos anos. Conforme destaca o Diário Político, o parlamentar foi direto ao tratar da possibilidade de disputar outro cargo, como o Senado, e reforçou que sua decisão é definitiva, destacando que sua filiação ao Republicanos assegura a viabilidade da candidatura.
“Listão” de exonerações…

Nos Corredores do Iguaçu, teve gente chorando nessa semana. Logo na segunda-feira (6), muita gente correu para ver se o seu nome constava no “listão” de exonerações publicada no Diário Oficial. Sem aviso prévio, o Governo do Paraná publicou uma lista de exonerações contendo cerca de 60 nomes de servidores ligados ao PL e ao Novo.
A “degola” foi resultado direto do rompimento estratégico entre o Palácio Iguaçu e os partidos PL e Novo, que desembarcaram do governo no final do mês de março. As demissões em massa, publicadas no Diário Oficial, atingiram inclusive deputados que historicamente votavam com o governo. A movimentação foi interpretada como uma retaliação direta à ascensão de Moro e uma tentativa de conter possíveis deserções na base governista.
Ao remover os indicados do PL e do Novo, o governo abriu espaços na estrutura estatal que serão utilizados para prestigiar os aliados remanescentes, fortalecendo o apoio político necessário para o enfrentamento eleitoral que se aproxima.
… e também alguns sorrisos

Mas também teve gente nova sorrindo, nos Corredores do Iguaçu. E rostos não tão conhecidos da “velha” política paranaense. Após a exoneração de 19 secretários estaduais que devem disputar as Eleições de 2026, o Governo do Estado anunciou os três primeiros novos secretários, após o período de desincompatibilização da Justiça Eleitoral.
Os decretos nomeiam César Neves para comandar a Secretaria da Saúde, antes comandada por Beto Breto, que voltou à Câmara dos Deputados para disputar a reeleição como deputado federal. Também foi nomeado Fernando Furiatti para a Secretaria da Infraestrutura e Logística, no lugar de Sandro Alex, que também retorna à Brasília e deve pleitear sua reeleição como deputado federal. E, por fim, Walmir da Silva Matos para a Secretaria do Esporte, antes ocupada por Helio Wirbiski, que deve disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa.
O governo não está com pressa para divulgar os novos secretários. E também não está fazendo alarde, pois, apesar de não serem tão conhecidos, os novos nomes já faziam parte do quadro das secretarias. Furiatti, por exemplo, já ocupava o cargo de diretor-presidente do Departamento de Estradas e Rodagem (DER), vinculado à Secretaria de Infraestrutura. Já Walmir era diretor-presidente da Paraná Esporte, também ligada à secretaria antes liderada por Wirbiski.
E assim deve seguir a “dança das cadeiras”. Nenhum nome polêmico deve ser anunciado. E as pastas serão comandadas por gente “de casa”, que já tem ou tinha vínculo com os temas relacionados.
Por um breve momento, houve um burbuinho sobre uma possível desistência de Fernando Giacobo em disputar uma vaga na Câmara dos Deputados para assumir, eventualmente, a Secretaria das Cidades, que era ocupada por Guto Silva, postulante ao Governo. Mas isso não aconteceu. A grande novidade sobre Giacobo é que ele confirmou filiação ao PSD, deixando o PL e levando cerca de 50 prefeitos, em protesto explícito e declarado à filiação de Sérgio Moro no partido.
Em almoço com a “nova base”, Romanelli defende Guto e Maria Vitória a chapa Curi/Greca

Blog Politicamente – Durante o almoço oferecido por Ratinho Júnior à “nova base” governista no Chapéu do Pensador, nesta terça-feira (7), nada de novo sobre a política paroquial – e ninguém esperava algo diferente. Apesar da expectativa pela confirmação do escolhido pelo governador para sua sucessão, o almoço foi uma reunião protocolar de amenidades.
O nome de Guto Silva foi defendido pelo deputado e líder do PSD na Alep, Luiz Cláudio Romanelli, que declarou que o ex-secretário das Cidades seria a melhor escolha entre os pré-candidatos do espectro governista. Por sua vez, a presidente do PP, deputada Maria Victória, pediu a palavra e externou o sentimento de boa parte da base pela preferência pela chapa Alexandre Curi/Rafael Greca (ou vice-versa).
Mas não foram os únicos nomes citados. Ratinho voltou a colocar no amplo leque de opções os nomes de Curi, Greca, Darci Piana e até Sandro Alex. O governador apenas disse que espera apresentar a chapa o mais breve possível. Mas não sinalizou qualquer data. Em sua fala, ele reforçou o que tem dito em outras agendas: que vai valorizar quem sempre esteve com ele.
Graeml diz que foi abandonada por Moro e critica “caráter” do senador

Nosso Dia – A pré-candidata ao Senado pelo PSD, Cristina Graeml, afirmou que foi “abandonada” pelo senador Sergio Moro e fez críticas ao que chamou de problema “com relação a caráter” do ex-juiz. As declarações foram dadas em entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan, nesta quinta-feira (9).
Segundo Graeml, sua saída do União Brasil ocorreu após ficar isolada dentro da sigla, para a qual teria sido levada pelo próprio Moro, então presidente estadual. A jornalista afirmou que houve uma ruptura inesperada no grupo político. “Ele deixou o partido sem presidência e levou todo o partido, sem me levar junto. Abandonada eu fui, porque não me incluíram na negociação”, declarou.
Ao comentar uma possível vitória de Moro ao Governo do Paraná, Graeml evitou avaliar a capacidade técnica do senador, mas fez críticas diretas à postura política dele. “Não posso falar de viabilidade técnica. Agora, tenho um posicionamento com relação a caráter, como você lida com aliados, como você trata os acordos que foram acertados. Temo que tenha alguém que governe o estado e que não tenha palavra”, disse.

Leonidas Dias assume a Prefeitura de Curitiba

CMC – Pela primeira vez na 19ª Legislatura da Câmara de Curitiba, um vereador estará à frente do Poder Executivo. Por seis dias, entre 10 e 15 de abril, o prefeito interino será o primeiro-vice-presidente da Casa, Leonidas Dias (Pode). Conforme ofício 47/2026, lido pelo presidente Tico Kuzma, o prefeito Eduardo Pimentel informou a ausência do país, entre os dias 10 e 15 de abril, em razão de viagem aos Estados Unidos. Pimentel acrescenta que o período de sua viagem coincide com missão oficial do vice-prefeito, Paulo Martins, à Cidade do México e a Puebla.
Conforme a linha sucessória à Prefeitura, determinada pelo artigo 69 da Lei Orgânica do Município, Kuzma foi convidado ao exercício do cargo. O presidente da Câmara, no entanto, também estará em viagem oficial ao exterior (Paraguai e Chile), previamente agendada.
Servidores encerram greve na capital
Plural – Professores e servidores municipais de Curitiba decidiram encerrar a greve iniciada na manhã desta quarta-feira (8 de abril). A Prefeitura convocou uma nova reunião de negociação. O Sismmac, o sindicato do magistério municipal, e o Sismuc, que representa os servidores de outras áreas, realizaram assembleias à tarde e a categoria decidiu encerrar a paralisação.
Para os servidores do magistério, a Prefeitura propôs o crescimento vertical para 30% da categoria no nível 1 e 25% para os níveis 2 e 3 (a proposta original era de 20% para todos os níveis), para os próximos dois crescimentos. Já o crescimento horizontal passaria a começar em agosto com término em dezembro. Servidores com dois padrões passarão a receber o vale alimentação em março de 2027. Leia mais.
Bloco Novo/PL se torna o maior da Câmara de Curitiba

CMC – As mudanças partidárias registradas nas últimas semanas redesenharam a composição dos blocos parlamentares da Câmara Municipal de Curitiba. Com a nova configuração formalizada em 8 de abril, o bloco Novo/PL passou de 7 para 10 integrantes e se tornou o maior da Casa. No mesmo rearranjo, foi formado o bloco PODE/Federação União Progressista, com 9 vereadores, enquanto o PSD passou a atuar com bancada própria de 5 parlamentares.
No início de fevereiro, o maior bloco era o MDB/PDT/Republicanos, com 8 membros. Em seguida, havia três agrupamentos com 7 vereadores cada: Pode/PP, Novo/PL e PSD/Federação Renovação Solidária. Também figuravam a composição entre Federação Brasil da Esperança, PSB e Federação PSOL-Rede, com 5 parlamentares, e o bloco União/Agir, com 4 integrantes. O antigo bloco PSD/Federação Renovação Solidária deixou de existir, assim como o bloco União/Agir.
ANTT vai suspender cobranças do pedágio free flow no Paraná

Os deputados estaduais Luiz Claudio Romanelli (PSD) e Arilson Chiorato (PT), junto com a deputada federal Gleisi Hoffmann, ex-ministra das Relações Institucionais, receberam nesta segunda-feira (6) a confirmação do presidente da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Guilherme Sampaio, de que a agência vai suspender as cobranças indevidas de pedágio pelo sistema free flow nas rodovias do Paraná.
Na terça (7), Romanelli confirmou que a ANTT não autorizou a concessionária do Lote 4 (627,52 km de rodovias como a BR-369, BR-376 e PRs) a instalar pórticos eletrônicos de cobranças de tarifas de pedágio e que, portanto, qualquer cobrança ou multa derivadas pela ausência de pagamento são consideradas ilegais.
A data da audiência será definida nos próximos dias e deve ser realizada no plenário do legislativo estadual com a participação de prefeitos, vereadores, autoridades do setor, lideranças e usuários das rodovias pedagiadas.
PT desafia Dallagnol a antecipar registro de candidatura

O Partido dos Trabalhadores do Paraná está desafiando o ex-procurador da Lava Jato, Deltan Dallagnol, a antecipar o registro de sua candidatura. O político esteve presente na filiação de Sergio Moro no PL e reafirmou sua pré-candidatura ao senado pelo Novo, mesmo estando inelegível.
Para o PT, não há margem para manobras jurídicas que permitam a candidatura de Deltan Dallagnol. O que ele faz é tentar enganar o eleitorado paranaense ao manter seu nome na disputa. Por isso, o PT o desafia o ex-procurador a pedir à justiça eleitoral um RDE, Requerimento de Declaração de Elegibilidade, processo criado pelo Congresso Nacional para as eleições de 2026.
Esse pedido permite que qualquer pré-candidato peça à Justiça, já no primeiro semestre, a confirmação se ele tem ficha limpa e se pode disputar a eleição antes mesmo de a campanha começar. Algo impossível para Dallagnol, na leitura do PT, uma vez que ele teve seu registro cassado por unanimidade pelo Tribunal Superior Eleitoral em 2023.
