
Os registros da Central e Luto indicam com frios dados o falecimento e sepultamento de Lélio Guimarães Sotto Maior Jr, ocorrido em Curitiba na quarta-feira, 17.
Mas os que dominam a memória de Curitiba e, particularmente, a história de nossas manifestações culturais do século 20, sabem que Lélio (irmão do procurador Olímpio Sotto Maior), foi um dos mais relevantes críticos da arte cinematográfica que o Paraná já teve. E como tal era acatado.
CRÍTICO DE CINEMA
E tanto quanto sua expertise em cinema, Lélio foi alguém que acompanhou grandes momentos da vida da cidade. Foi parte essencial do chamado Grupo Áporo que, no final dos 1960, lançou o manifesto cultural que marcaria, ao mesmo tempo, a exposição definitiva de Paulo Leminski, o poeta depois de dimensão nacional, e que cresceria cercado de amigos como Lélio.
SÍNTESE DA OBRA
Há 3 anos, Lélio lançou na Biblioteca Pública do Paraná (BPP) um discretíssimo livro – tiragem limitada, preço muito baixo – contendo uma espécie de síntese de suas mais importantes apreciações críticas produzidas para publicações como o extinto Diário do Paraná.
Resnais, Cahiers Du Cinema, Nouvelle Vague, o olhar de Lélio a tudo captou, da sétima arte, a partir de um educado observatório.
O cinema dos anos 60/80 era uma obsessão mundial pré Internet e diante de uma televisão modorrenta e popularesca.
Nos últimos tempos Lélio era acompanhado por uma cuidadora, e mostrava-se muito satisfeito com as atenções que lhe dava o filho, um professor de Inglês.
MUNDO POLÍTICO
Era aposentado do serviço público estadual – fiscal da Secretaria de Fazenda.
A família de Lélio reuniu por anos os crème do funcionalismo público local: os Guimarães, os Ruppel, os Sotto Maior.
Seu pai, Lélio, teve importância política como cabo eleitoral de parlamentares e governadores, a partir de casa comercial que comandava no Alto da Glória, Curitiba.
