sexta-feira, 3 abril, 2026
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MORRE A SOCIALITE CARIOCA LOURDES CATÃO

A notícia não ganhou destaque, ao contrário do que aconteceria em outros tempos. Mas é que morreu no último dia 10, no Rio de Janeiro, aos 93 anos, a socialite e decoradora Maria de Lourdes Prazeres Catão, vítima da covid-19.

Ela foi casada com o engenheiro, deputado federal (1963-1967) e senador suplente (1967-1970) Álvaro Luís Bocaiuva Catão, catarinense de Imbituba.

Divorciada desde 1972, em 2001, no ano seguinte à morte do ex-marido, Lourdes revelou que o pai de seu primogênito, Álvaro Filho, era o cunhado, Francisco Catão.

Lourdes morou muitos anos em Paris e em Nova York. Ela figurava constantemente nas cobiçadas listas das mais elegantes dos colunistas cariocas Jacinto de Thormes (pseudônimo do jornalista Maneco Muller) e Ibrahim Sued, nos anos 1950 e 1960.

Foi ela quem passou a conduzir o livro “Sociedade Brasileira”, espécie de guia nacional dos chiques que sua irmã, Helena Gondim, publicou durante décadas, até morrer em 2008. (colaboração de Walter Schmidt)

MORRE SOCIALITE LOURDES CATÃO (II)

Quem tem menos de 60 anos dificilmente entenderá a importância que a socialite Lourdes Catão teve no imaginário nacional nos anos 1950/1970.

Ela foi uma das “deusas” alimentadas por nomes soberanos dos meios de comunicação do país, como os colunistas sociais Ibrahim Sued, Maneco Miller, Pomona Politis, Jeff Thomas, Ricardo Amaral, Gilberto Tromposwsky, entre outros, que pontificavam, ditavam regras e glorificavam personagens do café society daqueles dias.

Esses colunistas definiam quem tinha importância no society brasileiro.

Não havia ainda muita preocupação em separar emergentes e a sociedade tradicional, a do chamado “dinheiro velho”. Em São Paulo, havia exceção:

Marcelino de Carvalho era um dândi quatrocentão que lutava para manter vivo o espírito dos “velhos paulistanos” e o baronato do café. E por justiça, tenho de citar Tavares de Miranda nessas exceções; ele tinha também trânsito amplo e irrestrito no mundo do dinheiro velho dos paulistanos, com coluna diária no Diário de São Paulo.

O empresário carioca Paulo Marinho, por exemplo, que hoje está nos maiores espaços políticos da imprensa, suplente do Flávio Bolsonaro em briga com a família presidencial, foi um dos ungidos daqueles dias.

Partiu de uma vida “sem brilho social”, ganhou fama e expressão nacional ao viver e expor suas perícias amorosas com uma socialite de expressão internacional.

 

Lourdes Catão, Ibrahim Sued, Carmen Mayrink Veiga…

Lourdes Catão e Carmen Mayrink Veiga eram as “deusas” daqueles dias, verdadeiras “locomotivas da sociedade”, como as classificava Ibrahim, o maior fenômeno do colunismo social brasileiro, prova inequívoca de quanto o país é generoso na promoção da chamada mobilidade social.

Havia uma enorme dose de fantasia e futilidade envolvendo o dia a dia de tais deusas, e elas sabiam bem alimentar os sonhos que inspiravam na alma brasileira, composta por homens e mulheres que, pelo menos até o começo dos 1960, viviam numa ‘grande fazenda chamada Brasil’.

Lourdes Catão, Carmen e os playboys Décio Pignatary e Jorginho Guinle foram apenas alguns dos personagens entronizados no dia a dia dos que os fizeram modelos inatingíveis pela sofisticação, vaidade, e venda de sonhos de um mundo Premium.

Hoje, no reinado do digital, esses nomes poderiam quando muito, ganhar espaço de influencers de médio porte… Perderiam importância para qualquer garoto simples do interior do Piauí…

(AMGH).

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